Amigo Literatura: Crer ou Não Crer

Por Unknown

4 de janeiro de 2019


Estreamos hoje a Amigo Literatura, onde veremos o resultado do amigo secreto realizado em dezembro pela nossa equipe. Para começar, a Vittoria Crispim me enviou esse livro maravilhoso e sofremos com a entrega, mas o resultado é esse que vocês vão ler agora. 

Sou uma mulher de momentos, nada linear, por isso, a religião foi algo, digamos, transitório. Ora estava forte, ora fraca, ora quase inexistente. 

Só aos 22 anos descobri que o batismo não é algo obrigatório igual o registro de uma criança, o ideal é que apensas as pessoas católicas e que seguem às normas e atividades da igreja que merecem e precisam desse ritual. Após esse conhecimento, percebi que tantas coisas nos são impostas e nem sabemos porque, a origem, não questionamos. 

Há mais ou menos um ano, por motivos de desestruturações naturais, comecei a investir no autoconhecimento em busca de equilíbrio, de amenizar angustias e aprender a lidar comigo mesma. Desse modo, naturalmente, eu fui me afastando da religião e de um Deus que manda em mim o qual já acreditei e confiei. 

Então, muito fã do Padre Fábio de Melo twitteiro e do incrível Leandro Karnal, escolhi de presente o livro Crer ou Não Crer, pois sempre entendi a religião como algo positivo pra muita gente, pelo apoio e suporte que podemos encontrar nela, muitas vezes o único recurso de muita gente, mas que agora é algo distante de mim. 

Foi o melhor presente no melhor momento. Ainda me considero em uma fase de transição entre ter ou não ter fé, se sou ou não ateia. E não tenho pressa, estou me conhecendo e me entendo, me observando, assim como o que acontece ao meu redor, mas ler essa obra me fez ter paz e renovar as esperanças.

O momento social e político que nós vivemos confesso que também me deixou desacreditada em seres humanos, os extremismos assustam e sufocam eu que sempre fui uma sonhadora nata de um mundo melhor. No entanto, me acalma ouvir, ou melhor, ler de um padre que a religião possui falhas e que muitos atos errôneos são causados em nome de Deus e que ele não concorda com isso, que muitas coisas deviam ser diferentes. 

Durante a agradável leitura pude perceber que é possível unir as duas coisas, religião e autoconhecimento, pois de forma resumida, tudo é autoconhecimento. Não há um Deus que manda, mas sim que confia, abençoa e conforta. 

Os diálogos deixam claro também que seja através de autoconhecimento, religião ou crenças, o importante é que a gente se conheça, conheça nossos pontos fracos e fortes e possamos nos apoiar sempre e viver conforme o que o nosso coração diz. 

Não fomos ensinados a sermos livres, pois não é possível liderar pessoas livres, como tratado de forma didática entre Pe. Fábio e Karnal, pessoas dominadas são mais fáceis de lidar e a religião até hoje é muito usada como uma forma de dominação. O autoconhecimento liberta, a religião também tem esse poder, desde que não exista apenas “A verdade”, mas apenas a nossa verdade. 

Ou seja, após essa leitura eu renovo minha fé na humanidade e reforço as minhas crenças na questão de que não existe a liberdade, existe liberdade apenas. A verdade absoluta não existe, a submissão não é fé, e a verdade é aquilo que nosso coração sente.
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