Literatura Em Foco - Shinsetsu - O Poder da Gentileza

Por Alvaro Luiz Matos

2 de dezembro de 2018

Você é uma pessoa gentil? Já ouviu a celebre frase “Gentileza gera Gentileza”? Até onde é certo esperar reciprocidade? Mais uma dessas tantas palavras da moda. Vem comigo e vamos conhecer um pouco mais dessa obra de Clóvis de Barros, Shinsetsu – O Poder da Gentileza.

Clóvis de Barros foi, pra mim, um dos melhores professores desse país. Ensinando ética e ciência politica então? Prático e palpável, seus exemplos ganham corpo e sugerem que temos no cotidiano as melhores metáforas para entender mais de conceitos complexos e aparentemente difíceis da filosofia.

Hoje, um dos palestrantes mais requisitados do país, viaja em incontáveis palestras e se debruça em construir obras que tratam de comunicação, ética e politica (suas áreas de especialidade). O autor é simplista sem ser simplório, construindo e embasando muito bem seus pensamentos e trazendo consigo o método de seguir o tempo histórico para trazer os conceitos estudados, vindo quase sempre de Platão e Aristóteles, passando pelo sempre lembrado Espinoza, e outros tantos. Não é difícil perceber que ele não é só um bom autor, mas também o meu favorito.

Shinsetsu nos responde as perguntas que abrem o texto, mas não tem essa pretensão. A ideia do livro me parece muito mais gerar reflexão acerca do tema do que nos entregar respostas prontas do tipo “faça isso e será feliz”. Aliás, fórmula seguidamente repudiada pelo autor, que sempre grifa que devemos evitar os gurus dos métodos pasteurizados a fim de gerar felicidade.

O Livro conta com 56 capítulos bastante diretos e concisos, onde o autor consegue explicitar e condensar um conteúdo acumulado em anos de profissão. Muitos exemplos já conhecidos pelos seus fãs são encontrados em seu livro e nas entrevistas em que apresenta a obra ao público. Mas com medo de transformar minha análise em um texto técnico e “PNC” (“pau no cú”, chato e sem conclusão) bora falar mesmo é de Shinsetsu.

Muito mais que ser gentil, Shinsetsu tem a pretensão de não atrapalhar, leva em consideração os reflexos das ações tomadas, não busca agir pelas costas, agredir, ofender. Amabilidade que não espera reciprocidade, que não busca receber em troca, mas sim colocar-se a disposição para que outro desfrute do seu maior conforto existencial.

Clovis de Barros é preciso ao descrever cada um de seus exemplos para apresentar um conceito que transcende a moral e ética, uma tradição oriental que para nosso entendimento se aproxima muito mais do amor proposto pelo filosofo Cristo (gosto de chama-lo assim, uma vez que, você sendo ou não religioso, deva considerar que essa personalidade trouxe-nos pensamentos direcionados a uma forma de filosofia existencial). Shinsetsu deixa de lado o amor Eros, do desejo, para abordar o amor da abnegação, o amor ágape.

Deixando claro que viver está diretamente ligado a se relacionar e que não adianta fugir disso, Clóvis nos mostra que Shinsetsu é mais do que fugir daquilo que prejudica o próximo, mas sim uma proatividade altruísta, afim de levar ao outro momentos de amabilidade.

E apenas para encerrar, vou explicitar uma das lições que mais me couberam aprender neste livro. Shinsetsu nada tem haver com a expressão comum de que “perco amigo mais não perco a piada”, expressão usada por mim em minha curta jornada de vida em diversos momentos. Sou, embora muito gentil, o amigo comediante, da piada, da agressão gratuita e desprovida de intenção de magoar, mas que aprendeu por intermédio dessa obra que para realmente ser gentil precisamos nos preocupar com o efeito das ações causadas por nós e que perco sim a piada, mas nunca o amigo, nunca o próximo.

Atividade diária de autocontrole, acredite! Você não terminará o livro e será um gentleman, mas poderá termina-lo e se tornar uma pessoa mais consciente sobre teus atos. Se isso ocorrer, tenho por mim que a obra alcançou o teu objetivo, o da reflexão, da autorreflexão.
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