Literatura em Foco: Minha Noite no Século Vinte e Outros Pequenos Avanços

Por Janaína Guaraná

14 de dezembro de 2018


Kazuo Ishiguro, (Nagasaki, Japão, 8 de novembro de 1954), é um escritor nipo-britânico. Ishiguro foi galardoado com o Nobel de Literatura em 2017. Seu livro Minha Noite no Século Vinte e Outros Pequenos Avanços é uma edição curta do discurso de aceitação do Prêmio Nobel feito por ele em dezembro de 2017. 

No discurso, o autor fala um pouco sobre o inicio de sua carreira e sobre os momentos de revelação que primeiro fizeram dele um escritor e, posteriormente causaram mudanças em seu trabalho. Funciona também como uma pequena biografia literária. 

Nela, vemos um japonês cabeludo de 24 anos, recém frustrado em suas ambições de se tornar uma estrela do rock, se trancar em um sótão alugado tentando escrever algo. 

O autor fala de suas influências, revelações e dos caminhos que queria que seus personagens percorressem, que embora os personagens descritos fossem capazes de surpreender o leitor, os relacionamentos nos quais estavam inseridos, são planos. 

É interessante lembrar que o inicio do discurso foi cortado tanto no livro quanto no site oficial do Nobel, parte essa, que o autor fala sobre a porta da sala de cerimonia da sede da Academia Sueca, que segundo ele, são abertas duas vezes ao ano: uma quando o secretario da Academia anuncia o vencedor e outra quando o ganhador da vez entra para dar seu discurso. “Me senti honrado em ser uma das únicas duas pessoas que passarão por essa porta neste ano. Mas agora estou pensando que, se eu sair daqui pelo mesmo lugar, encontrarei as portas trancadas. Eu não sei sair daqui.” 

Comovente afirmação dos direitos e das liberdades individuais, este discurso abre fogo contra o racismo e, numa afirmação da necessidade de expandir os limites do discurso literário para abarcar mais visões de mundo, apresenta-se como um texto de valor literário que em nada deve aos romances do autor. Sua leitura deixa claro por que ele é um dos maiores escritores do século XX.
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