Literatura em Foco: A Uruguaia

Por Janaína Guaraná

23 de novembro de 2018


Em A Uruguaia tem sexo, dinheiro, infidelidade, humor, crise existencial, mesquinharia, amargura, traição e aparecem várias referências à atualidade, as menções aos atacantes Sebastián Abreu e Luis Suárez parecem obrigatórias no transcorrer da ação em Montevidéu. São os fios com os quais foi tecido um romance tão curto quanto intenso, tão apreciado pelo público quanto pela crítica, um livro que não parou de ganhar espaço desde que foi publicado no ano passado na Argentina. 

Pedro Mairal é um romancista, poeta e escritor argentino. Ele publicou mais de uma dúzia de livros, entre eles o romance La Uruguaya, publicado no Brasil pela Editora Todavia, que ganhou o Prêmio Juan Tigre em 2017. Seu trabalho foi traduzido para o francês, alemão, inglês e holandês. 

Juan Pablo Villalobos diz na contracapa: “A Uruguaia não chegou a passar uma noite na minha cabeceira: como as melhores coisas da vida, ela foi lida de uma vez só e me deixou insone.” Com a peculiaridade das coisas efêmeras que versam nos parágrafos desse livro é impossível prolongar a narração, somos tomados por sentimentos mistos que beiram a obsessão e a curiosidade, qualidade inata dos leitores, não tem nada de efêmera, ela precisa ser sanada e é assim que se faz, senta-se confortavelmente, pega a bebida de sua preferência, no meu caso foi chá, e só levanta quando a curiosidade permitir, que no meu caso foi no fim do livro. 

A linguagem de um típico aviso de fim, achei até que fosse uma carta, mas eram pensamentos que cabiam rimas e filosofia, de todas as coisas que sonhamos, juramos, escrevemos e o ato de virar na esquina faz com que todos os planos não se realizem, claro que é isso que pensamos no fim de tudo, e se eu tivesse entrado no café e perguntado, e se.. 
A liberdade com que os relatos são escritos só poderiam vir de um narrador que se incomoda com o casamento que está degringolando, com a esposa que está diferente, com os prazos que não foram cumpridos, com o filho. O que isso tem a ver com liberdade? Tem, quando se tem tudo isso em mente e caminhamos em direção a um amor que aquece as fibras do próprio corpo, como o vislumbre de uma estrela cadente que iluminam o céu por segundos e então desaparece, é viver a liberdade em essência.

A cumplicidade latente nas frases endereçadas a esposa, o você que sabiamos ser para ela, todas as histórias e dedicações, as palavras usadas que nos convencia que a conhecia tão bem, ser porto de retorno de alguém que se perdeu e encontrou uma tempestade, coisas tão sublimes que pairam sobre a narrativa exagerada de um amor exagerado.

Encontrar a felicidade tem dessas coisas, sonhos insones, amores passageiros, mas principalmente a certeza que nenhuma felicidade é eterna, colecionamos momentos felizes e torcemos para que lá fim, os felizes sejam maioria.
Comentário(s)
0 Comentário(s)