Literatura em Foco: O Livro dos Abraços

Por Janaína Guaraná

9 de novembro de 2018


"Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador." 

Eduardo Galeano nasceu em Montevidéu, em 1940 e nos deixou em 2015. Mais que o Galeano conhecido por qualquer um que já tenha ouvido falar de "As veias abertas da América Latina", ele é o autor das palavras que andam, do mundo que vaga, dos mais de 30 títulos traduzidos em para mais de 20 idiomas. 

O livro dos abraços traça um caminho para o fantástico, que passa pelo absurdo e pelo protesto. Como outras obras do autor, nasce do resultado de suas andanças. Uma tentativa quase poética de 'congelar a memória' por meio dos pequenos momentos, aqueles que sacodem a alma da gente sem a magnanimidade dos heróis, mas com a grandeza da vida. 

A televisão mostra o que acontece? Em nossos países, a televisão mostra o que ela quer que aconteça; e nada acontece se a televisão não mostrar. A televisão, essa última luz que te salva da solidão e da noite, é a realidade. Porque a vida é um espetáculo: para os que se comportam bem, o sistema promete uma boa poltrona. (A televisão/2) 

É como "um vento errante, desses que vagabundeiam de déu em déu e que abre a porta da frente, como se tivesse sido chutada por algum bêbado" e escancaram também a porta dos fundos. Não há como passar impune. Eduardo Galeano conseguiu reunir em um só livro todo seu significado na vida. Eduardo poeta. Eduardo político. Eduardo místico. Eduardo teólogo. 

A editora alerta: 'abra este livro com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida. Pode afagar, pode cortar. Mas seja como for, como a própria vida, vale a pena?'

 “Somos todos mortais até o primeiro beijo e o segundo copo, e qualquer um sabe disso, por menos que saiba.”
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