Literatura em Foco: O Caçador de Historias

Por Janaína Guaraná

30 de novembro de 2018


Eduardo Galeano dispensa apresentações, aqui mesmo já falamos de um livro dele, mas o Caçador de Histórias, carrega aquela hesitação quando temos que engolir algo, esse livro precede a morte de Galeano e embora tenha escrito e ajudado na edição, o livro só ficou pronto depois de sua morte, alguns escritos de um possível novo livro foram publicados nesse que é o último encontro com o caçador de histórias, Galeano. 

"Poderíamos dizer que, no dia de criar a América, o pulso do Senhor tremeu um pouquinho." 

Então Galeano com a destreza típica, coloca nos versos todo o preconceito, destruição e falta de empatia que os europeus trouxeram para a América junto com suas embarcações, as caricaturas que falavam mais sobre quem desenhava que sobre o objeto de desenho, do assombro ao encontrar mulheres americanas que não eram propriedades de seus maridos. “ Na América encontraram um mundo de cabeça para baixo. Elas tinham opniões e bens próprios, o direito ao divórcio e ao voto nas decisões da comunidade”. 

De forma didática e sem meios termos fala sobre drogas, tráfico, da carnificina indígena, a memória dos escravos e do perigo comunista que ameaçava a liberdade por volta de 1959, sobre ditadores e suas ditaduras. Sem perder a fina linha que unem os acontecimentos históricos dos acontecimentos da alma, Galeano versa dos males humanos aos sentimentos que atingem a epiderme como uma chuva forte.

Contando das andanças por aí, Galeano faz denúncias de tudo que está à vista, do racismo encoberto já que o dinheiro do negro vale mesmo que o do branco, do capitalismo selvagem que fez um centro comercial em chamas fechar as portas para que ninguém saísse sem pagar, das condições de trabalho dos trabalhadores invisíveis. 

Vale a pena morrer por tudo aquilo que, sem existir, não vale a pena viver."

O último livro de Galeano reúne em tom de despedida os adeuses e encontros, as memórias e as histórias. Encerra de forma poética e condena o leitor a morrer de saudade, dos contos e das palavras cuidadosas colocadas em cada verso.
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