Literatura em Foco: Fique Onde Está e Então Corra

Por Ellen Joyce Delgado

2 de novembro de 2018


Muitos já conhecem os textos de guerra e sentimentalismo do autor John Boyne - bem conhecido pela obra que parou nas telonas "O menino do pijama listrado". Esse é um escritor que sempre trouxe consigo o fardo da sentimentalidade, com palavras que tocavam e deixavam os leitores apreendidos com as páginas de seus contos. Hoje, o que trago não me fez diferente. Começamos, agora, Literatura em foco com o livro Fique onde Está em Então Corra. 

Perder-se nos versos de John Boyne é mesmo muito fácil. O difícil é realmente se encontrar nas entrelinhas. O livro conta uma narrativa vivida em plena guerra, a qual, supostamente, relata, em tempo, a Primeira Guerra Mundial

Tudo começa em um aniversário de uma criança de cinco anos de idade – nosso pequeno e resistente Alfie. Esse seu dia de festa já não era tanta felicidade, pois seus entes queridos já mostravam na face a inquietação de uma possível batalha. E assim se fez. 


Iniciou-se nossa primeira Guerra Mundial e seu pai sendo enviado à mesma como soldado da pátria. A miséria e perda de entes queridos já estava expressa na realidade de todos os moradores de sua comunidade, inclusive em seu próprio espaço. 

A mãe de Alfie sempre tentava, de todas as maneiras, não deixar faltar o essencial para seu filho. Mas, no fundo, ela sabia que o mais importante sempre faltaria: o amor de seu pai. 

O essencial nem sempre são nossas necessidades básicas. No corpo de quem realmente sente, não dá pra viver sendo “completo com pouco”

Anos se passam e o silêncio se torna seu maior companheiro. Era apenas ele diante de sua própria sombra e as hipóteses de “onde estará meu pai agora” ou ainda, “será que ainda tenho pai”

O livro me trouxe a simpleza de uma criança e a postura que deveríamos tomar na mão de um pequeno. Caminhar essas andanças com Alfie é descobrir que não pode haver um amor singular. Sua coragem foi muito além do que a maioria poderia um dia fazer. Pude descobrir, também, que, para aqueles que preservam o amor ao próximo, não se pode fazer uma guerra com mortes em massa. Tudo sempre pode ser ajustado em união, mesmo que sua própria resistência seja colocada em jogo. 

O bem querer venceu as fronteiras. Não precisamos mais ficar inseridos onde os “grandes” nos mandam. Somos autores de nossas próprias histórias.
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