Cinema em Foco - Bohemian Rhapsody

Por Bruna Horta

15 de novembro de 2018


O que torna um astro do rock em uma lenda? 

Talvez ninguém saiba responder essa pergunta. Nem mesmo Freddie. 

Bohemian Rhapsody é um filme biográfico sobre a história do Queen, mas principalmente sobre seu vocalista, Freddie Mercury. Ele conta toda a trajetória do jovem tanzaniano, com pais indianos e estudante na Inglaterra, que começou estudando arte, mas tinha nascido com a voz até então nunca vista. Mais do que isso, é um filme que conseguiu passar a personalidade e a alma de Freddie através dos olhos, dos gestos, do corpo e da representação feita por Rami Malek. Conhecido como o protagonista de Mr. Robot, Rami que também possui descendência na África Oriental, não titubeia ao incorporá-lo e não decepciona em nenhuma cena. 

Apesar do roteiro simples e segundo os fãs mais aficionados, com erros históricos grotescos e cronologia duvidosa, o filme arrepia ao apresentar as músicas e apresentações mais icônicas do grupo. Além da parte musical muito bem explorada, vale o destaque para a caracterização e os figurinos idênticos aos originais. Outro ponto de destaque na narrativa é a figura de Mary, que foi namorada e até noiva de Freddy por 6 anos, mas desfizeram o relacionamento e continuaram a linda amizade até seus últimos dias. O término se dá quando ele se revela bissexual, o que a vendedora questiona, afirmando que na verdade Freddie era gay. Nesse ponto, que é a grande virada da carreira do cantor, sua vida se intensifica em vários âmbitos, desde o sucesso até o número de parceiros, drogas e festas. E no filme, sentimos toda sua solidão, mesmo cercado de pessoas. 

Não deve ter sido fácil ser um cantor imigrante, gay, afeminado e soropositivo. Freddie quebrou muitos tabus na época, enfrentou preconceitos, revolucionou o rock e conquistou milhões de fãs no mundo inteiro. Talvez esse tenha sido o segredo para se tornar uma lenda. Incomparável, inalcançável, simplesmente único!
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