Cinema em Foco - Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Por Elizabeth Silva

20 de novembro de 2018


Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald é um dos filmes mais aguardados do ano, isso se não o filme mais aguardado, e para a felicidade dos fãs da franquia após tortuosos dois anos de espera, temos a sequência da saga que está ampliando mais ainda o sublime universo criado por J.K. Rowling. Diferente de Animais Fantásticos e Onde Habitam, a continuação dessa nova saga muda um pouco sua visão sobre ter um único protagonista, fato comprovado já no título da franquia, que agora carrega o nome de seu antagonista.

Essa nova aventura, se passa apenas alguns meses após a reviravolta que acontece em Nova York depois que a maleta de Newt é aberta e suas criaturas magníficas escapam. Dessa vez somos transportados para Paris de 1927, onde Tina Goldstein está à procura de Credence para ajudá-lo a enfrentar os problemas com o ministério. E meio que “sem querer”, Newt tem seu caminho traçado até Paris quando Queenie e Jacob aparecem em sua porta. Mas Paris não está abrigando somente os mocinhos da trama, Grindelwald fugiu de maneira emblemática de sua prisão e agora está reunindo seus seguidores e traçando seus próprios planos para Credence.

O storytelling é mais rápido que o do primeiro filme, afinal já temos a apresentação desses personagens, sabemos quem são e suas personalidades. Então a história começa a transcorrer um tanto mais rápida e com uma gama de informações muito grande! Definitivamente para acompanhar e pegar todos os detalhes, no mínimo o filme deve ser visto outra vez. As 02h14min do filme são super bem aproveitadas e você mal sente a hora passar.


Newt e Jacob continuam cativantes como sempre, trazendo leveza a uma trama que se tornou mais sombria, carisma e nos momentos de drama fazem a gente querer abraçar eles. Não foi bem uma surpresa que Jacob aparecesse novamente, já que o final do primeiro filme indicava sua “volta” de memória sobre o mundo bruxo. E, apesar de não querer se envolver ou escolher um lado para lutar, nosso querido lufano é sempre convencido por Dumbledore a fazer a coisa certa, por mais difícil que seja.

E aqui está uma das aparições mais esperadas, Alvo Dumbledore agora interpretado por Jude Law, é jovial traz uma áurea ímpar para o filme, a de esperança. É diferente a maneira como ele se porta como professor, me lembrando Remo Lupin, o trabalho de Jude é impecável em todos os aspectos. Nós temos a bondade de Dumbledore exposta em sua voz e em seu olhar, a maneira divertida de falar com seus alunos (como tínhamos nos primeiros anos de Harry Potter na escola), e sua incrível capacidade de confiar nos outros e devoção que o amor pode curar as feridas. Apesar de não ser uma interpretação que tenha muito tempo de tela, acredito que com os próximos filmes isso irá mudar.

A trama deu espaço para que todos os personagens que foram inclusos conseguissem aparecer, alguns com mais tempo outros com menos, mas com a esperança de que eles terão mais utilidade nos próximos filmes, como é o caso de Nagini. Quem não ficou estupefato quando J.K. anunciou que a misteriosa cobra de Voldemort iria estar no filme a ainda por cima era uma mulher amaldiçoada? Infelizmente ainda não temos muito sobre ela, e nem o seu papel a desempenhar, mas o local onde ela estava no final do filme abre caminhos muito interessantes e teorias sobre seu futuro.


Gellert Grindelwald é sem dúvidas um dos nomes mais icônicos quando falamos sobre o mundo bruxo de Harry Potter, afinal é o único bruxo que nosso querido Alvo Dumbledore realmente temeu em sua vida. E neste momento preciso assumir o grande ator que Johnny Depp é, sem entrar nos méritos das polêmicas sobre sua escalação já que muito foi dito dos dois lados e de nada nós podemos ter certeza absoluta. Não houve um momento que seu personagem apareceu que ele não roubou a cena totalmente para si. Mesmo que o filme começasse a girar em torno dele e a gente já soubesse que ele apareceria mais, mas o magnetismo de Grindelwald é absurdo! Ele é frio, manipulador e extremamente poderoso. Devo assumir que não esperava menos de um personagem que tem uma personalidade tão marcante sendo interpretado por um ator de igual calibre. O discurso final dele... é surreal!

Devido a isto, na minha percepção, o filme se afastou um pouco dos “Animais Fantásticos”, mesmo que trazendo criaturas lindas e novas no universo, minha atenção sobre elas durava pouco tempo já que me via esperando o próximo passo do vilão no filme. A história já se encaminhou mais para o desenrolar da relação entre Dumbledore e Grindelwald, que foi retratada deliciosamente e me deixou sem palavras, e a promessa de seu futuro embate.

O filme tem alguns furos que cabiam em uma discussão que envolve mais spoilers, mas no todo eu saí com uma vontade enorme de entrar na próxima sessão o mais rápido possível! É graficamente mais linda ainda, sua trilha sonora continua me causando arrepios e ver Hogwarts e algumas referências a Harry Potter, eu não contive as lágrimas de saudade dos filmes e dos livros que despertaram esperança e paixão em milhares de pessoas e em mim.
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