Literatura em Foco: Poesia que Transforma

Por Ellen Joyce Delgado

19 de outubro de 2018


Poesia que Transforma, sintonia que nos ligam. Hoje iniciamos o Literatura em Foco com uma nova descoberta do nosso mundo literário: Bráulio Bessa

Nordestino, nosso conterrâneo traz o emblema de uma cultura tão singular e pouco merecida por uma base ignorante. Vindo do interior do Ceará, Bráulio encontrou nos versos as rimas perfeitas para apresentar ao mundo a existência de um pedaço desaprendido

O livro é uma homenagem à poesia brasileira. Mas aquela brasileira raiz mesmo: 

 “Eu começo este cordel perguntando agoniado: 
Por que os nossos valores são tão desvalorizados?” 

É sempre tão difícil tentarmos entender tantas coisas distantes do alcance dos nossos olhos. Costumamos rotular tudo da maneira como nos é passado. Isso é não dar valor, não dar espaço para o conhecimento. Não nos abrirmos para a sabedoria. 



Nossa cultura é tão polarizada e temos vergonha em determinadas situações. Vivemos um conflito dentro de nosso próprio território. 

Temos que entender que não somos os únicos. Não somos todo um poder. A sabedoria não está em uma única mão e a beleza vem dos olhos de quem realmente se permite observar além. 

Bráulio começou suas escritas desde novo, mas sua revolução veio em 2014, quando, após as eleições, mensagens de ódio foram voltadas aos nordestinosautores sem razão. Seu discurso foi montado logo após essas ordens de incultura, mas suas palavras eram oposição: fraternidade

Definitivamente, não tivemos aqui um discurso de ódio. O livro Poesia que Transforma reconstrói a luta para aqueles que ainda querem. Doa-lhe um afeto com o calor de um abraço forte. É o bem-querer retomando o protagonismo de sua essência. 


“Nunca é tarde pra sonhar com algo quase impossível
 e entender que a esperança nem sempre será visível. 
Nunca é tarde para o fraco se tornar um imbatível. 
Nunca é tarde pro rancor se transformar em perdão, 
pra perceber que nem sempre você tem toda razão. 
Pra sentir mais com a mente e pensar com o coração.”


Suas palavras nos refugiam. Nossas diferenças nos tornam únicos. É sempre insensato achar que toda uma nação poderia ser melhor sem seus outros viveres. Digo, logo por fim, que esse choro que vem de longe pode ser a nossa esperança nessa realidade cega


"Já que existe no Sul este conceito 
Que o Nordeste é ruim, seco e ingrato, 
Já que existe a separação de fato, 
É precisa torná-la de direito. 
Quando um dia qualquer isso for feito 
Todos dois vão lucrar imensamente 
Começando uma vida diferente 
Da que a gente até hoje tem vivido: 
Imagine o Brasil ser dividido 
E o Nordeste ficar independente. (...)
Prefiro simplicidade."

O ponto de vista com um novo olhar: será que não seriam eles - nordestinos - merecedores da liberdade dessa nossa ignorância?
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