Literatura em Foco: O Sol na Cabeça

Por Janaína Guaraná

26 de outubro de 2018


Imaginem uma obra que retrata o dia a dia dos morros, com versos viscerais, sem medo de falar sobre violência policial, vício, tráfico de drogas, morte, intolerância religiosa, com vocês: Geovani Martins. Negro, pobre, nascido e criado no morro – faz-se notado por meio de seus contos, que nos levam diretamente para as ruas do Rio de janeiro. 

 Aos 26 anos e publicado pela Companhia das Letras uma série de contos que foi vendida para mais de 9 países. Relatos que transportam mundo afora o dia a dia carioca em formato de ficção. Fica nítido para quem lê, que a arte imita a vida e as histórias postas em versos foram escritas esboçando as memorias. Experiências vividas, vistas e ouvidas. Às vezes, embrulha o estomago. 

Moreira Salles diz na contracapa: “Geovani pula da oralidade mais rasgada para o português canônico como quem respira”. 

Não imagino a força necessária para sair de uma bolha que reflete sangue e injustiça. A vida é escrita na mais triste dualidade, sem licença poética, o autor é um exemplo de que existem outras possibilidades de ascensão que não sejam relacionadas ao tráfico e crime, assim como seus dizeres reforçam as estatísticas sempre serão ruins enquanto, por exemplo, a própria polícia alimentar esse ciclo. A culpa é nossa também? Sim, o livro é duro a esse ponto. Há força nessas palavras e os contos são quase manifestos, registros históricos que explicam o presente. Um presente podre. 

O que quero dizer é que imaginar o futuro, me dá medo.
Comentário(s)
0 Comentário(s)