Literatura em Foco: A Parte que Falta Encontra o Grande O

Por Ellen Joyce Delgado

7 de setembro de 2018


Sempre tentamos trazer opções diferentes de livros, sendo eles muito marcantes para cada um de nós. Hoje a opção do Literatura em Foco é a sequência de um daqueles que já foi comentado aqui. Trago para vocês A Parte que Falta Encontra o Grande O, continuação do A Parte que Falta. Ambos  foram escritos por Shel Silverstein, lançado no Brasil pela Companhia das Letrinhas 💓.

A parte que falta sempre teve a necessidade de encontrar seu grande complemento. Ela vagava por aí observado a emendas do dia a dia e as complexidades que o mundo lhe apresentava. Sua esperança sempre foi a maior guia do encontro com sua completude. 

Era "apenas" mais um pedaço nesse mundo – como já vimos no primeiro livro. Um pedaço que se considerava inacabado sem sua soma final. 



Quantas vezes não nos vemos assim? São as fases da vida que nos levam à uma desordem suprema: estar só é estar vago

Durante a leitura dessa sequência tive uma (outra) lição de vida. E novamente me perguntei: Como uma escrita tão infantil consegue me trazer isso? Mais uma vez fui surpreendida. 

Estamos sempre em constante procura da parte perfeita, e esquecemos de olhar para nós mesmos. Será que não temos a capacidade de sermos felizes sozinhos? A moral de toda nossa alegria está oprimida nas mãos de um personagem abstrato? Qual seria o sentido de tudo se não somos nem se quer capazes de nós mesmos? É aí que erramos – mais uma vez. 


No correr dos caminhos que a levavam, a parte que falta acabou se deparando com um pedaço perfeito. Logo proclamou diante dele que ele era tudo aquilo que esperava. Aquela era a visão de sua parte perfeita e do “viveram felizes para sempre”. A lição de vida veio em seguida. 

A Grande parte perfeita – nomeado como Grande O – não se classificava apto para esse encargo. Não era ele que levaria aquela pequena pontinha por todos os caminhos da vida. Não classificava como sua  obrigação cuidar da felicidade de algo que nunca havia visto. 

A finalização nos mostra o Grande O ensinando a parte que falta a caminhar sozinha, e se desenvolver de acordo com as estradas da existência. Disse que ela poderia rolar e rolar, ser feliz e se completar

Em uma parte do livro, há uma declaração que diz: 

A parte que falta: Mas eu tenho pontas afiadas. 
Grande O: Pontas se desgastam e as formas mudam.” 




Essa foi uma forma inocente de nos trazer um grande ensinamento: Nosso medo de tentar nos impede de aperfeiçoar. Seremos eternos miúdos enquanto mantivermos o medo do inexplorado. Não vale a pena sermos eternos escravos de um desconhecido. Seremos felizes por completo e nos dissiparemos no que a vida nos destinar.

Levanta, tomba, começa a avançar. Sua antiga forma já começou a mudar 😄
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