Literatura em Foco: Céu Sem Estrelas

Por Rozany Adriany

28 de setembro de 2018


O livro Céu Sem Estrelas, da autora brasileira Iris Figueiredo, publicado pela Editora Seguinte, selo da Companhia das Letras, é um romance sensível e envolvente que conta a história de Cecilia, uma adolescente que acaba de completar 18 anos e passa por um momento muito complicado em sua vida. 

Cecilia é uma garota simples que sofre algumas crises de ansiedade, tem baixa autoestima por causa de seu peso e tem problemas familiares, de confiança e abandono que tornam toda a situação ainda pior. Por outro lado, ela também tem um ciclo de amigos que a querem muito bem e uma avó que lhe dá todo o suporte que a mãe não dá. Ah, e Bernardo... irmão da sua melhor amiga e sua paixonite desde sempre.

A história começa a se desenrolar a partir do dia do aniversário de Cecilia quando ela é demitida da livraria em que trabalhava e resolve não contar para ninguém. No mesmo dia, ela e suas amigas vão a um barzinho e após muitos drinks de consolação, elas precisam ser resgatadas por Bernardo. O fato de Cecilia não ter voltado para casa, não ter atendido o telefone, nem ter ligado para "tranquilizar" sua mãe de que estaria bem, além do fato de não ter contar sobre a demissão acarretam uma série de confusão com a mãe e o padrasto que a levam a viver um tempo na casa da melhor amiga e lá ela descobre em Bernardo muito mais do que a paixonite que nutria.

A história dos dois não é um daqueles clichês onde tudo é só flores e passa por alguns momentos de altos e baixos após alguns desentendimentos confusos. Mas a verdade é que a história de Ceci e Bernardo vai muito além do romance!

O livro trata de temáticas extremamente interessantes e necessárias, principalmente nesta fase de transição entre a adolescência e a maior idade. Entre crises de ansiedade e ataques de pânico, Cecilia esconde de todos seu problema emocional, como realmente se sente até ser dominada pelo medo crescente em ser abandonada por aqueles que mais ama após tantos traumas sentimentais.

Além disso, a autora levanta uma questão importante sobre o "preconceito" voltado à terapia quando uma das amigas de Cecilia sugere que ela procure um profissional para ajuda-la com a confusão em sua mente e ela responde que não é louca e por isso não precisa de um psicólogo. 


Todos sabemos que até hoje muitos ainda pensam que psiquiatras e psicólogos são médicos de doidos e que problemas como depressão, ansiedade, ataques de pânico, são apenas "frescuras" ou falta de esforço e muitas outras bobagens que a gente ouve por aí. Quando, na verdade, trata-se de problemas psicológicos seríssimos que causam muita dor e sofrimento a quem os sente e que vai muito além do querer ou não querer sentir-se assim.

Não é uma tristeza simples, não é um simples "não quero sair da cama hoje", é muito mais difícil que isso e acreditem, apenas quem sente sabe! Então, antes de comentar qualquer coisa, tenha um pouco de empatia e pensa o quão doloroso pode estar sendo para aquela pessoa!

Para Cecilia foi preciso muito trabalho e muito esforço para entender que, apesar de todos os problemas e decepções, ela tinha ao seu lado pessoas que realmente estariam sempre ali para apoia-la. E é saber que temos com quem contar nos momentos mais difíceis que faz com que sejamos capazes de lidar com certas dores. 

Iris Figueiredo conseguiu criar uma história cativante que nos faz refletir sobre nossas vidas e as vidas das pessoas ao nosso redor. E em como podemos ou não enxergar a dor do outro, mesmo que sejamos bem próximos dele. É uma história linda, contagiante, e incrível!

Não vou contar o desenrolar da história de Cecilia, nem de seu romance com Bernardo para não estragar a leitura de vocês, mas se vale de algo: comecei a ler o livro na segunda e acabei na terça entre idas e vindas do trabalho e as obrigações da vida adulta. E a história me prendeu e me emocionou bastante, então vale muito a pena a leitura, acreditem!
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