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Por Juliana Pereira

4 de setembro de 2018


Tirando as séries da queen Shonda Rimes, é atípico ver protagonistas e realidades negras como assunto central em uma série. No entanto, Michaela Coel, é britânica, atriz, roteirista, cantora, compositora, poeta e dramaturga britânica e para quem interessar possa, negra e talvez por isso que a série retrata tão bem a vida de uma jovem negra que mora em um bairro marginalizado. 

Protagonizada ela própria Michaela, Tracey de 24 anos que não tem experiência em quase nada vida, mas está fazendo doutorado em arrumar confusão! Tem muitas questões legais que vou tentar separar logo abaixo para ficar mais organizado. 

Sexo e Religião 

Logo nas primeiras cenas fica claro que a briga de Tracey é entre religião e a sua vida sexual. Com mãe, irmã e namorado critãos, ela até tenta se manter fiel à bíblia (que nunca leu), mas sua vontade de transar fala mais alto. A jovem não sabe nada sobre sexo e vez que outra tenta falar com sua melhor amiga, mas as informações são repassadas superficialmente e de maneira equivocada, o que leva Tracey a tentar ir fazer acrobacias que acabam não tendo o resultado esperado. 

Colorismo 

Pensei bastante antes de escrever colorismo, mas acho que é a melhor definição para diversos diálogos durante a série. O elenco é constituído de maioria negros, mas há também brancos, mestiços e o que até amarelo. O fato é que a discussão de que mulheres “menos negras” são mais sexys é muito interessante porque mostra a realidade do preconceito. 

Outro fato é a relação que Tracey tem com seu segundo namorado, Connor, que chama de inter-racial, por ele ser branco, o que ela também precisou se desfazer de alguns preconceitos em relação ao boy e sua cor. 

Inocência 

O que mais nos faz rir, é a série ter uma protagonista genial e inocente. Ela se vê como uma mulher determinada e tão crente naquilo que quer que muitas vezes sem perceber enfrenta racismo, machismo, homofobia e até a pobreza de uma maneira leve, descontraída, mas que nos faz refletir a cada cena. Ela não tem medo da vida, não tem medo de arriscar nem de passar por ridícula. Muito pelo contrário, escuta tudo o que lhe dizem e aquilo que não dá certo, ela procura não repedir e vai atrás de outros métodos. 

Sororidade

Praticamente todas as mulheres da série são independentes que engravidaram, os pais das crianças foram embora e elas dão seus jeitos pra tudo! A sororidade não fica só na amizade de Tracey e Candice, mas entre todas as mulheres. Elas não negam ajuda umas às outras e abrem mão do que for na hora de se ajudarem. É LINDO DEMAIS!

Sendo assim, a série é uma delicia de ser assistida e além de boas risadas, nos coloca a par de uma realidade que parece (mas não é!) distante, em que jovens negros não tem informação, a religião é usada com cura e a salvação, a sexualidade ainda é um tabu e amor é, talvez, a única coisa que ainda lhes restam.
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