Cinema em Foco: A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata

Por Janaína Guaraná

19 de setembro de 2018


A Netflix lança mais um filme original, agora uma adaptação de um best-seller! Apesar do nome grande e estranho, A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata é um grande filme sobre amor por livros e pela vida!

De todas as coisas cruéis demais para ser descritas pela segunda guerra mundial é infinito o número de histórias que fazem o coração cansado bater tranquilo. Como quando o dia exaustivo nos leva a crer que não temos mais motivos para sorrir. Obviamente não há sentido nas palavras sorriso e guerra na mesma frase, mas falo daquelas pausas, daqueles momentos entre o inspirar e suspirar que os céus iluminam algumas almas e elas sobrevivem com pequenas xícaras de chá e uns livros. 

É sobre toda destruição humana que nos cerca e toda humanidade que ainda pulsa nos destroços. É eternizar os sentimentos que não cabem dentro da gente e escrevê-los de forma apaixonada em livros que estarão na memória daqueles que leem como respiram, que leem porque precisam de motivos para respirar. É sobre as hesitações que contamos para elucidar a ideia de ser apaixonada por livros, pelas vidas ali escritas, pelas histórias que embalam e inspiram nossos sonhos. 

É um fio de vida que existe em um mundo onde sonhadores escrevem suas aventuras e seus leitores guardam suas histórias como quem guarda um amor, um tesouro. É quando podemos ser quem somos, quem queremos ser, nas páginas dos livros encontramos a vida que imaginamos todos os dias antes de dormir. Aquela vida que faz sentido, que arrepia a pele e que pede mais uma taça de vinho. 

Essa mania de supor ser melhor que alguém por causa de motivos banais como cor, credo, sonhos, altura e peso ainda vai nos deixar sozinhos num mundo que não sobreviveremos. Isolados em uma ilha no fim da segunda guerra, os habitantes em uma noite de coragem insana se reúnem para jantar, visto que eles viviam de sopa de batatas, porco assado soa tentador demais. Então, o encontro acaba com o encontro com a patrulha alemã que para se safarem, simplesmente se apresentam como membros do clube de livros: A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata. 

A suposta sociedade precisa ser vivida e num resto de mundo à beira mar, livros são livros e sonhos são escritos. Almas solitárias desenham os encontros lidos numa noite fria. As maldades e imundices humanas que lemos é uma nuvem grossa em um povoado que cheira aos velhos tempos. O holocausto tocou mais almas que imaginamos e deixou um mundo menos bonito que sonhamos, mas histórias assim nos fazem pensar em nunca mais, em entregar a nossa alma pela alma de alguém, o alimento da nossa boca para a boca de alguém. Nos livros de heróis simplesmente humanos é assim que nossos olhos marejam e nosso coração treme. 

Das coisas que a guerra leva, nem todas estão nas páginas amarelas e empoeiradas da história, algumas estão marcadas em corações cansados mas que ainda batem e sonham. Dessas histórias sem finais felizes, apenas com finais deslumbrantes que fazem estar vivo ser suficiente.
Comentário(s)
0 Comentário(s)