Objetos Cortantes – 1x04 – Ripe

Por Ana Silvia Soeiro

7 de agosto de 2018

Quando houve a adaptação do romance “Garota Exemplar” de Gillian Flynn para os cinemas muita gente reclamou do quanto a história do livro e do filme eram “longas”. Mas colocar a história de Amy em um papel foi um desafio que tanto Hollywood quanto Flynn cumpriram á risca, ouso dizer com excelência. No caso de “Objetos Cortantes” Amy Adams está simplesmente impactante como Camille, seguindo o texto e adicionando todo seu talento à um papel dificílimo.

Difícil, para falar o mínimo, está a situação em Wind Gap. Uma cidade voltada por e para si mesma. Onde o pensamento tacanho e xenófobo impede que uma investigação seríssima seja levada á cabo com eficiência. Onde por suspeitas pobres um delegado persegue dois “suspeitos/condenados” aos olhos da opinião pública. Camille e Amma buscam desesperadamente uma fuga para não sufocar, uma no passado e a outra no presente diretamente impactadas pela “chefe da cidade”, a mãe Adora.

O episódio me deixou profundamente impressionada por mostrar padrões idênticos no comportamento dos jovens do presente e de outrora da cidade. Camille se vê em Amma e a caçula deseja à exemplo de todo e qualquer adolescente típico, tomar proveito da “fama” da “irmã pródiga”.

O crime de assassínio se perde em meio ao caos reinante de relações tóxicas, frustrações e porque não dizer da tentativa desesperada de Camille de terminar sua matéria e fugir de Wind Gap. Vontade compartilhada pelo detetive forasteiro que apesar do esforço em resolver um crime, não encontra cooperação em seu colega, que prefere seguir as leis de Adora do que da polícia. Camille e Richard, como eu já esperava, compartilham muito mais do que o anseio de sair da cidade. Chocante não é a cena de sexo entre eles (Gillian Flynn não inspira falso puritanismo), mas saber que as marcas da jornalista a impedem de um contato importante com o detetive, por se sentir marcada e suja, Camille não mantém nem contato visual com ele. Amy Adams brilha mais uma vez!

Fechando com chave de ouro o episódio mostra um confronto entre mãe e filha, que no cotidiano é bem normal, mas não há nada de normal na forma com a qual Adora confronta Camille sobre seu comportamento. Como ela culpa a filha mais velha por todos os seus problemas. A cena entre Amy Adams e Patricia Clarkson ultrapassa o chocante, é revoltante. Especialmente quando de maneira tão “baixa” Adora condena Camille e dá a ela o nome que dá o título do episódio: “ripe” (ranço).

Mais uma vez, o caso do serial killer fica em segundo plano. Como não ficar? Depois desse episódio só me restou respirar fundo e esperar pelo troco de Camille.


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