Literatura em Foco: Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente

Por Ellen Joyce Delgado

17 de agosto de 2018


Com aquela fome de poesia mundana, Igor Pires e Gabriela Barreira iniciaram suas exposições sentimentalistas em pequenos moldes de papéis. O que, talvez, por eles não era esperado como muito, trouxe uma grande apreensão, a qual precisou ser levada a um mundo aberto, penetrando as entraves de uma multidão. Hoje falaremos de algo mais apiedado. Um livro que merece uma reflexão tempestuosabem condizente ao nome. Vamos de Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente

Lançado em 2017, pela Editora Globo, o livro já trazia consigo uma promessa marcante. Com algumas publicações feitas em redes sociais, os autores sempre atraíam cada vez mais seguidores interessados nos seus desagues sentimentais


Narrado com pequenas poesias e muito expressionismo, as páginas do livro trazem o limite entre o penar e o suceder. A sequencialidade dos versos clamam gritos de amparo. 

Há uma vasta abertura ao drama por um amor e a ausência da reciprocidade. Os textos falam bastante sobre uma realidade, a nossa realidade. Uma mansidão de caminhos e escolhas pelas quais sempre somos chamados, tentativas infindáveis e o nosso aprofundamento no "vai passar"

A leitura flui no encontro poético. As rimas se cruzam sem uma obrigatoriedade. E isso nos une ainda mais a elas. 


Por alguns, o livro acaba sendo visto como um drama dispensável. Isso é válido, já que nem tudo deve ser clamado por todos. Mas, para outras pessoas, ele pode ter uma interpretação mais marcada. 

Às vezes gostamos de relembrar momentos que um dia foram esquecidos. Às vezes vale encostar os olhos nas visões custosas do existencialismo. 

O livro me trouxe um entendimento da saudade. Uma temporada no silêncio. Um vitimismo à existencialidade. Foi um apego a necessidade, e uma luta contra a realidade. 

O final nos proporciona algo mais sereno. Após longos desabafos e infortúnios redigidos, a conclusão nos prova que nada foi em vão, e nunca será. Tudo tem uma passagem e perpetuação. O que vivemos um dia foi uma memória, e a vida deve seguir agora. O gritos foram dados e a imensidão do tempo teve fim. 


A obra vale ser apreciada com bons olhos. Seria um erro não personificar essas fortes palavras no nosso vocabulário tão extenso. Pior ainda a infelicidade de não nos sentirmos reais com uma visão tão efetiva.

Todo o começo está fadado a um cessar – mas nem sempre precisa ser portado como algo tão trágico. Os devaneios da vida nos proporcionam recomeços e a memória nos trará aquela perpétua saudade. Saudade daquilo que foi, e fim.
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