Literatura em Foco: A Parte que Falta

Por Ellen Joyce Delgado

3 de agosto de 2018


A Parte que Falta

Vamos falar de algo tão simples e envolvente. Este livro foi originalmente publicado em 1976, e escrito por Shel Silverstein (1930-99). O autor do livro, quando criança, trazia consigo muitos sonhos para o futuro. Mal sabia ele que se tornaria um forte romancista, escritor infantil e desenhista. 

Seu livro, lançado e relançado no Brasil pela Editora Companhia das Letrinhas, tinha um foco principal como público alvo: crianças. Mas ele trouxe uma essência tão intensa que acabou acordando muita gente grande. 

Ao ver um vídeo sobre a resenha desse livro, tive a intenção de conhecê-lo. Acabei ganhando esse livro em um momento muito marcante de minha vida. Essa forma especial de recebê-lo me trouxe um maior vínculo. Mas, sem mais rodeios. Vamos falar sobre ele. 

O contexto é bem simples e rápido. Você, sendo um leitor passageiro, terminaria em, no máximo, 10 minutos. Mas quando chega ao fim, sente a necessidade de recomeçar e reviver aquilo de uma forma contemplativa. 

Temos um personagem – em um formato de círculo – vivenciando a rotina da vida atrás de sua outra parte. Seria a famosa “cara metade”. Ele declara no início do livro que faltava-lhe alguma coisa, e por isso ele não era feliz. Sua aventura começa desde então. 

Ele parte em uma busca desesperada à procura de sua parte perfeita. Vivencia sua rotina apreciando o que lhe aparece no caminho e cantarolando para o mundo: 


Um pouco barata a tradução, porque realmente tinha um foco infantil, mas a maior significância não parte disso. 

Ele continua seu caminho. Encontra várias partes durante sua longa procura. Declarava algumas como frágeis demais, outras não traziam seu perfeito encaixe. E, mesmo assim, jamais desistiu de sua íntegra felicidade. Claro, já no final de todo seu trajeto, ele acaba se deparando com a sua parte perfeita. Logo, encarecidamente, propõe à mesma uma união. Uma forma de junção que completasse um ao outro. Isso acontece. Ao final, o livro nos traz a consequência disso tudo. 

O desfecho, em minha interpretação, nos mostra a consequência de acharmos que devemos passar o tempo todo procurando a forma perfeita. Talvez sejamos sempre completos por nós mesmos, e devemos compreender que não devemos colocar nossa felicidade na mão de outra parte. Não temos que procurar a parte perfeita. 


Ele pôde compreender isso. Necessitou o início de uma nova busca. Talvez agora esteja preparado para abrir um novo espaço, ou se encaixar em uma nova parte.

Talvez, falte para nós - gente grande - aprender alguma coisa com isso. Estamos tão fadados ao realismo que acabamos perdendo alguma parte importante de nós.

Ps: Em memória de nossos pretéritos ainda presentes. 💓
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