Literatura Em Foco - Felicidade Ou Morte

Por Alvaro Luiz Matos

10 de agosto de 2018

Felicidade ou Morte é um grito à necessidade de sermos felizes a todo custo, uma decisão de que precisamos sacudir e mudar algo de lugar para que realmente sejamos possuidores desse sentimento.

É esse o sentimento inicial que meu autor favorito Clovis de Barros Filho e o já popular Leandro Karnal possuem para iniciar esse bate papo promovido pela Papirus. 

“Karnal: Nós escrevemos e pensamos sobre ética nesse momento no Brasil, e também sobre felicidade, exatamente porque há uma falta ou uma percepção de falta generalizada”.

Bem, nem tudo o que direi em meus textos nessa coluna serão exatamente o que está nos livros que cito (em grande parte de filosofia), mas pensamentos e intervenções pelos quais o livro me fez meditar. Na verdade, considero um bom livro aquele que em algum momento me fez fecha-lo para refletir sobre algo pelo qual não havia parado para pensar.

Portanto, a vida é de complexidade grande e quando mais conhecimentos adquirimos, maior a dificuldade de ponderar sobre nossas ações, uma vez que as variáveis e os impactos podem ser de variáveis extensões. Nos tornamos então escravos de nossa compreensão do mundo e damos como certa o dito popular que afirma “a ignorância é uma benção”.

Outra reflexão pelo qual o livro me fez pensar (e essa muito mais clara e presente no livro) é sobre o caminho que seguimos e escolhemos para seguir na vida. Karnal e Clovis deixam claro que somos donos de nossos destinos e é com base em nossas escolhas que a Felicidade se torna possível.

Aliás, gosto muito da afirmação feita por Clóvis: “Nas palestras que faço em empresas, bato a mão no peito com entusiasmo e grito: Não gostou? Troca! Você é gestor da própria trajetória. Não patrocine para si mesmo uma vida triste”.

E partirmos daí um importante questionamento também levantado no livro: Em algum momento todos acabamos sendo escravizados. Temos que nos adequar ao que o mundo nos pede, temos que dar resultados que outros esperam de nós e como afirma Karnal: “Somos o que somos em negociação com a sociedade, que aceita, limita, pune ou premia em função dessa adequação”.

Portanto, não basta entender nossa posição no mundo, é necessário entender também o que o mundo espera de nós e racionalizar conscientemente para escolher essa posição, qual parte de nossa felicidade entregaremos ao mundo em troca de aceitação.

Outros pontos muito bem abordados pelos autores estão relacionados à felicidade e ao amor, e a felicidade aqui e agora. O primeiro, muito abordado nas palestras de Clóvis, onde o amor mais praticado em nossa sociedade é o amor à falta, o amor à moda de Platão, desejante enquanto não o tenho, gerando a necessidade de completitude.

Escolhi abordar logo esse amor platônico exatamente por imaginar que ele já faz ligação ao último capitulo, onde é abordado a felicidade presencial. Somos um bicho social que não consegue simplesmente ser e estar, temos a tendência de antecipar nossas vontades e sermos infelizes por acreditar que falta algo, ou infelizes por pensar que não temos mais algo que tínhamos, transformando a nostalgia e a glorificação de nosso passado uma forma de ser infeliz no presente.

“No fim, doutores estão ao lado de analfabetos, tateando no escuro, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Seja Feliz! Ou morra tentando... Que este texto possa ajudar a criar uma voz na sua busca”.

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