Cinema Em Foco – O Protetor

Por Ana Silvia Soeiro

27 de agosto de 2018


Assumo inteiramente o risco de ser repetitiva ao iniciar mais uma resenha afirmando que não existe filme ruim do Denzel Washington. Por ser fã de filmes de ação, pancadaria e facas em geral, sofro algumas vezes, pois algumas produções geralmente “cambam” para o lado clichê, com cenas grotescas e impossíveis, até risíveis e quando li a sinopse desse filme na Netflix fiquei um tanto receosa. Afinal de contas, Denzel Washington ficaria bem em um papel desses? Em minha opinião, Denzel é DONO (perdão pela caixa alta, mas preciso da ênfase) de qualquer papel que interprete. Mas novamente, um filme de ação do tipo do Liam Neeson? Paguei pra ver e não me arrependi.

Robert McCall é um homem absurdamente comum (à primeira vista, óbvio), tem um trabalho bem “simples”, ou seja, não exige grande esforço, nem lhe dá muita notoriedade e entre os empregados é um verdadeiro mistério. Com todos é bastante cordial, mas à exceção de um empregado que quer se tornar segurança, não tem intimidade com os outros. Sua casa e seu trato pessoal, são absolutamente “espartanos”, ou seja, uma metáfora ambulante que me deixou intrigada desde o início quando vi o pôster do filme. Até que sua vida muda quando começa a conversar com a jovem prostituta Teri, envolvida com uns russos barra pesada.

A partir daí, meus amigos, o negócio inteiro muda de figura! Robert resolve deixar de lado sua postura pacata e reservada quando descobre que Teri foi brutalmente espancada. Em uma cena antológica e cronometrada ele se livra dos perseguidores da garota e sai de cena. Mas, toda ação tem uma reação, e convenhamos que a ação dele foi bastante digna de uma reação. O crime organizado, como bem sabemos nós brasileiros, costuma estancar essas sangrias derramando mais sangue ainda e para isso emprega os mais “eficazes” funcionários, é o caso de Teddy. O cara que “resolve os problemas” para o chefe. Um assassino implacável com um passado assustador e com conexões que vão desde a polícia até gangues locais.

O filme é surpreendente em tantos sentidos que mesmo sendo redundante vou citar o elenco: protagonista incrível, algumas caras conhecidas e outras boas performances. História interessante, com ótimas reviravoltas e algo que eu considerei o mais interessante: o modo de luta de Robert. Muita gente acha interessante ver um cara acima de cinquenta anos batendo sem cansar em alguém (nos cinemas, é claro), em minha opinião, além de fisicamente “difícil”, isso é um tanto quanto ridículo (a não ser que seja o Chuck Norris, óbvio) e Denzel Washington conseguiu “encarnar” um assassino bem treinado sem nenhum tipo de apelação para golpes mirabolantes, ou lutas absurdamente longas.

Como um rurouni (um andarilho), Robert deixou sua marca em todos ao seu redor e segue firme buscando a paz que um lugar vazio deixou. Obrigada Denzel, por sua marca registrada no cinema.

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