Cinema em Foco: Extinction

Por Rozany Adriany

1 de agosto de 2018


Extinction (Extinção) é a mais recente produção original Netflix dirigida por Ben Young que estreou no dia 27 de julho no catálogo do sistema de streaming. O filme mistura ação, aventura e suspense, e possui um tom bastante futurista. 

De início a trama é extremamente confusa e demora um pouco até que consigamos encaixar todas as peças, mas, se bem conhecemos a Netflix e suas produções, talvez até isso seja algo proposital no que diz respeito ao desenvolvimento do filme. 

Peter é atormentado por sonhos que tiram seu sono e atrapalham a convivência com sua família por deixa-lo disperso e distante. Relutante em procurar ajuda médica por acreditar que seus sonhos são bem mais do que incômodos pesadelos, o cientista enfrenta dificuldades em relacionar-se com sua esposa e filhas que, apesar de preocupadas com ele, não acreditam que os sonhos sejam algo a mais. Até que um belo dia seus pesadelos se tornam realidade e todos se veem diante de uma invasão alienígena. 

Pelo menos é o que nós, telespectadores, somos direcionados a acreditar até este ponto da produção. Até aqui, devo admitir que, por um longo tempo fiquei me perguntando se a invasão alienígena não seria outro pesadelo de Peter e que a qualquer momento o mesmo acordaria e veria que toda a destruição não passou de um sonho. Mas, não é o que acontece e, eis que com o desenrolar da trama descobrimos que os invasores na verdade não são alienígenas coisa nenhuma. 

O filme é muito bem feito e realmente me prendeu a fim de descobrir o que realmente estava acontecendo, quem eram os invasores e se Peter e sua família conseguiriam escapar da morte. Além disso, a produção traz uma reflexão sobre a capacidade de destruição do ser humano ao sentir-se ameaçado por aquilo (ou neste caso, aqueles) que eles próprios criaram.

E é aqui que a produção dá sua reviravolta. Em um determinado momento descobrimos que os invasores são seres humanos que haviam "recuado" em uma crise anterior ao encontrarem resistência de sua criação, os sintéticos. E que os pesadelos de Peter eram, em realidade, antigas memórias que haviam sido apagadas para que eles pudessem viver uma vida normal sem medo do retorno dos humanos e sem lembranças cruéis do passado. 

Neste caso, os sintéticos não eram os inimigos, e acreditem, a torcida é para que eles consigam escapar do ataque dos humanos durante todo o filme, porque o real inimigo é o medo. O medo que os humanos sentiram ao perceberem quão avançada era sua criação e que eles não serviriam apenas como seus empregados (como parecia ser a ideia inicial), acarretando assim em toda destruição que se seguiu ao invés da tentativa de viver uns com os outros, independente de ser sintético ou ser humano.

O filme deixou espaço para uma possível sequência e, apesar de não ser uma produção extraordinária de nos arrancar o fôlego como muitos esperamos das produções da Netflix, é uma boa pedida para aquele descanso de um fim de noite após uma semana corrida de trabalhos e obrigações!
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