Torneio de Animes - Cavaleiros do Zodíaco Vs Shurato (Saga do Santuário X Saga de Indra)

Por Alvaro Luiz Matos

8 de julho de 2018

Batalha : CDZ: Saga do Santuário (78 episódios) X Shurato: Saga de Indra (25 Episódios)

Em suas sagas iniciais ambos os animes tinham o propósito de se apresentar para o público, mas apesar das semelhanças de roteiro (óbvia condição de Shurato só existir por causa de CDZ) a forma de se apresentar é muito diferente. Se por um lado, os cavaleiros são apresentados em um torneio tendo suas histórias contadas com exatidão, em Shurato o tiro é curto, a temporada é pequena e não existia forma de separar alguns episódios apenas para nos mostrar cada um dos guardiões.

Dessa forma, Cavaleiros dos Zodíacos se beneficiou ao ter a oportunidade de dar profundidade aos cavaleiros de bronze, mostrando uma história por trás de cada um, suas origens, seus treinamentos para só então revelar qual era o destino deles. Toda essa introdução dos cavaleiros, desde Pegasus até Fenix duraram seus primeiros doze episódios, onde só então um novo líder apareceu na Grécia e se mostrava ser o vilão da saga.

Já em Shurato doze episódios representam praticamente metade de uma saga, portanto apenas seu protagonista, que dá nome ao anime, foi aprofundado logo de cara (O Rei Shura foi apresentado como alguém justo, bom e que valoriza a amizade acima de tudo). Outra diferença é que logo no segundo episódio vimos Indra se revelando como um vilão, enganando os demais guardiões e lhes convencendo que Shurato e Ioga eram os verdadeiros traidores. Dessa forma, cada episódio adiante teve um dos guardiões como foco, para que fossem apresentados em suas características, mas sem a profundidade de ter uma história maior por trás.

Entretanto, em certo momento, o feitiço se vira contra o feiticeiro, vez que é visível que CDZ era o anime dos plots, desenvolvia muito bem mini sagas, conseguia dar objetivo ao desenho, mas não sabia roteirizar o diálogo dos personagens, deixando cada luta um tanto pedante, com o mesmo “que” de superação após uma esmagadora batalha (Incrível que para vencer, todos tinham que apanhar muito antes).

Já Shurato, que desde o começo desenvolvia melhor os diálogos, era um desenho em que você precisava prestar um pouco mais a atenção para entender os acontecimentos. O fato de não se ter tempo para introduzir todo mundo, fazia com que cada diálogo durante uma batalha (e até mesmo fora dela) fosse importante para se contar uma história. Outro ponto importante é que, além de ter um roteiro para contar, era necessário explicar a mitologia em que ela se envolvia e isso deixava cada episódio solto de Shurato mais relevante do que se pegássemos algo solto de Cavaleiros dos Zodíaco.
Embora tenha dificuldades de manter o roteiro denso durante todos os episódios, volto a reafirmar que CDZ sempre foi o anime dos plots, ou seja, o roteiro principal, aquele que amarra cada um dos episódios, sempre foi muito forte. Por diversas vezes nos emocionamos com as histórias contadas, principalmente próximas ao meio da saga do santuário, onde Saori se revela a Deusa Atena, com seu cosmo queimando e envolvendo todos os cavaleiros de bronze. Foram momentos assim que consagraram esse desenho na mente de cada um de seus fãs.

O ponto alto sem dúvida é a batalha das doze casas, onde nossos Cavaleiros de Atena precisam derrotar aqueles que deviam a proteger, os cavaleiros de ouro. Nesse momento conhecemos personagens importantes para o anime, mas foi lá também que aprendemos que trinta e dois episódios às vezes podem ser resumidos em vinte e quatro, ou vinte e aí por diante. Foi o ápice da obra, quase irretocável quando criou sua própria mitologia, mas também foi o momento de maior enrolação que o desenho já viu.

Outros defeitos são as batalhas intermediárias que são criadas, ainda mais os cavaleiros que aparecem e não agregam nada. Imagina que em meio a cavaleiros de constelações, signos e mitologias, aparecem cavaleiros botos, outros que suas armaduras formam uma espaçonaves (cavaleiros de aço), coisas realmente que desagregam e provavelmente foi esquecido por nós fãs ao longo dos anos.

Já Shurato não engrenou tão rápido quanto eu esperava, as traminhas bobas continuaram dando o tom por boa parte da saga, já o vilão demorou a ser mostrado como alguém realmente forte e supostamente imbatível. Digo que consegui assistir os mais de setenta episódios de cavaleiros dos zodíacos com mais empenho do que os quase vinte de Shurato, muito porque a inocência dos Reis protetores do mundo celestial ao acreditarem cegamente em Indra, algo criticável em CDZ que não precisava ser repetido por nenhum outro desenho.

Mas o senso de amizade entre ele e Gai foram do chato ao emocionante, ver o protagonista do anime em desespero acreditando no bom coração do amigo e em uma redenção foi sem dúvida um ponto de virada deste desenho. Daí para a segunda parte da saga, a dinâmica mudou e as aventuras ficaram um pouco menos repetitivas.

Se fizermos uma analise inicial a resposta é simples: Eu tenho motivos para continuar CDZ, mas não Shurato. Então lamento em informar que essa comparação acaba por aqui e que a segunda batalha envolvendo as sagas seguintes não irão rolar. 

Ao contrário disso, é bem capaz que parte desse texto vire também uma postagem sobre a saga do santuário e eu continue com textos sobre as sagas seguintes.

Forte abraço.
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