Literatura em Foco: O Livro dos Ressignificados

Por Ellen Joyce Delgado

17 de julho de 2018


Um livro um tanto quanto inusitado e, ao mesmo tempo, preso dentro de nossas histórias. Um pouco das verdades que deveriam ser ditas, e das poesias que mereciam ser entregues. Trago uma nova parte do meu mundo literário - uma parte muito significante.

Antes presas nas formalidades de um dicionário qualquer, o autor João Doederlein nos trouxe a essência de algumas palavras – por sinal, incríveis palavras. Em sua primeira obra, João nos recompõe – ou nos inverte – neste mundo labiríntico e demonstra muita substancialidade na escrita de O Livro dos Ressignificados, lançado pela editora Paralela

Em um mundo tão rotineiro, e tanta falta de questionamentos, nos aprisionamos nas rotas corriqueiras e acabamos nos esquecendo dos famosos “porquês”. Era tão mais valoroso quando éramos crianças e tínhamos a preocupação de questionar a existência de tudo. As coisas precisavam de nossa própria ciência.


Tantas palavras ditas – e algumas engasgadas – que o poder da significância perdeu a alma. E como você classificaria nossos famosos clichês, como: amor, cangote, saudade? Saem de formas tão obvias para uns – mas para outros, elas trazem outra singularidade

Entre as páginas do livro, esbarrei em um caminho sem fim. E, cá entre nós leitores, isso é sempre tão bom. É como se estivéssemos perdidos – ou "encontrados" – em um mundo piedoso. 


Cada página traz a visão de um poeta diante de cada palavra. Aquele que nos diz que o “Sorriso (...) é a roupa mais bonita de nosso rosto. Distância (...) é a lenha que aumenta o fogo da saudade. Saudade (...) é aquilo que o coração jura ter largado por lá e sente um aperto só de pensar.” 

A essência do livro foi dada de acordo com os cenários de sua vida. É muito estranho, às vezes, pensar que aquilo ali faz muito sentido para muitas outras pessoas. É como se todos nós tivéssemos guardado todo aquele conceito dentro da gente, mas nunca obtivemos uma sábia compreensão daquela existência. 


Acredito que esse livro seja uma sintonia das trevas. É o encontro de todas as nossas estações vivendo em repleto dualismo - e, ainda assim, conseguindo equilíbrio. Um congelamento emocional na vivência de nossa eternidade.

Sou grata ao autor, aquele que, mesmo como personagem figurante, trouxe essência aos principais capítulos de minha vida.


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