Literatura Em Foco - O Inferno Somos Nós

Por Alvaro Luiz Matos

6 de julho de 2018


Monja Coen vem se tornando uma das maiores líderes espirituais do país e despontando como construtora de opinião filosófica. Uma das figuras mais carismáticas e espontâneas, admite seus erros e a construção contínua de seu ser, uma pessoa que consegue ver além das mesquinharias do cotidiano.

Leandro Karnal um historiador que quer participar da história. Conhecedor de temas religiosos, jesuíta de formação e considerado um dos quatro principais pensadores da atualidade. Lista que, aliás, não deveria ser delimitada em apenas quatro, afinal assim se excluem outros pensadores e debatedores da atualidade como Olavo de Carvalho, Jesse de Souza, Janine Ribeiro, Marcia Tiburi, Pedro Calabrez e tantos outros que da sua maneira colaboram com o crescimento e o desenvolvimento do pensar no Brasil.

Bem, sobre a Papirus Debates nem é preciso falar. A editora de debates incríveis que inclui títulos como Verdade e Mentiras, Felicidade ou Morte, Política para não ser idiota, Ética e Vergonha na cara, Corrupção: Parceria degenerativa, entre outros, até o momento da chegada de “O Inferno Somos Nós”.

Sartre, representante inegável do existencialismo, da nome a um de seus grandes livros de “O Inferno são os outros”, nome que da origem a este debate com a afirmativa que “não, não são os outros, somos nós”.

Talvez o melhor nome para o livro seja obviamente o subtítulo, onde se acentua “do ódio á cultura de paz”, tema já muito abordado por Karnal em outros títulos como “Todos Contra Todos” e “Diálogos de Cultura”.

Bem, entre todos os títulos já lançados pela Papirus, este é o livro mais leve que já pude ler. O mais conversado, o mais cordial de todos. Nele são abordados temas como a cultura de violência, tolerância, respeito, coerção e consenso.

Sendo o capitulo “Essa maneira de pensar também existe” o que, a meu ver, mais sintetiza a essência do livro. Se todos soubéssemos entender que existem maneiras de pensar destoantes das nossas, e que para eu existir o outro não precisa deixar de pensar como pensa (por mais absurdo que nos pareça) é a chave da cultura de paz.
Fonte: http://ow.ly/CDhQ30kLMNg

Leandro Karnal: “O procedimento mais rápido e eficaz para impedir uma reflexão crítica sobre mim é apontar os defeitos dos outros”

Temos consciência de que a maioria das pessoas não são premeditadamente más, mas que fazem o mal por muitas vezes sem a consciência do que estão fazendo. Nossas intenções são quase sempre de fazer o certo. O problema não está apenas no que fazemos de errado, mas no pouco interesse de olharmos para dentro, corrigindo assim nossos próprios defeitos (ao invés, é claro, de apontar o do coleguinha ao lado).

Neste momento, aliás, a Monja Coen cita Hitler que, ao causar a morte de milhares de pessoas, pensava estar purificando a raça.

Para encerrar é importante citar que os autores procuram mostrar que, ao sermos educados, somos instruídos ao medo e que o medo é um dos grandes motivos para o ódio da sociedade. Temos, enquanto sociedade, medo de que um grupo racial ou de ideologia de gênero domine o mundo, então reprimimos aquele grupo, agredimos e desrespeitamos aquelas pessoas.

Origem “narcísica”, como diria Karnal, de nossos medos e frustrações.

Sejamos então canal de conhecimento, desvendando medos pré conceituosos e destrutivos, para que o mundo a nossa volta possa ser melhor.

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