Literatura Em Foco - Crer ou não Crer

Por Alvaro Luiz Matos

24 de julho de 2018

Sem pretensão de te dizer se Deus existe ou não, sem levantar bandeiras sobre ter ou não fé, mas, pelo contrário, discutindo a importância da fé para a sociedade. “Crer ou não Crer” é a conversa entre um historiador ateu, que estudou junto aos jesuítas e tem uma extensa carreira de pesquisas no mundo da religião e um Padre Católico, o mais popular do país e muitas vezes julgado pela aparência e não pelo grau de inteligência e conhecimento.

Quando me deparei com este livro na vitrine da livraria, foi pegar, comprar e não pensar muito, afinal Leandro Karnal tem uma fala muito cadenciada, de fácil entendimento e o Padre Fábio de Melo é talvez um dos homens mais interessantes desse país.

Não sou católico e também não sou ateu, mas sendo cristão e espírita, aprendi que o que importa não é aquilo que acreditamos, mas o que fazemos e logo ficou claro durante a leitura que ambos possuem essa mesma teoria de vida (mais ou menos enraizada).

Muito apresenta o livro uma frase dita por Karnal durante o bate papo: “O seu discurso e o meu têm uma unidade, a crítica ao farisaísmo”.

É claro que não são rituais religiosos, uma bíblia embaixo do braço ou o conhecimento de todas as passagens do velho testamento que nos tornará um homem de bem, uma pessoa social e humanizada. E é dessa maneira que o livro deixa um pouco de lado a igreja como instituição de ordem e moral e lhe apresenta como entidade de esperança e congregação.

O grau de conhecimento e ponderação de ambos os autores nos confunde em diversos momentos quem é o religioso e quem não é. Isso se dá ao bom senso de ambos ao entender e enxergar as limitações da igreja junto a sua importância.

Eu, Alvaro Luiz Matos, creio na fé sem limites, sem barreiras, mas acredito na fé ativa, na fé prática, naquela em que somos instrumento participativo das boas novas e não espectadores de um mundo governado pelas vontades imperiosas de Deus. Afinal, Deus é justo, mas também misericordioso.

Ao passo em que Karnal dá espaço e entende a importância histórica da religião e da fé, ao entendimento de que essa tem o poder de consolar e enxugar lágrimas, Fabio de Melo entende quais são as dificuldades vividas dentro de sua própria instituição religiosa, mas ponderando bem, que os erros são humanos, daqueles que com as palavras tomam machados ao invés de flores.

Talvez tenha sido um dos livros mais polidos que já li, de conhecimento ímpar entre os participantes do diálogo. Sinto que preciso ser repetitivo ao dizer que são dois seres ponderados, que não se posicionam como donos da verdade, mas se colocam como mediadores de um debate tão comum na sociedade.

Padre Fábio: Nunca é muito repetir meu carinho: A quem não tem Deus, que tenha, pelo menos, Aristóteles.
Karnal: Amém”

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