Glow – Segunda Temporada

Por Ana Silvia Soeiro

9 de julho de 2018


Ambientada em uma época que é sinônimo de breguice, abuso de drogas, machismo, preconceito com a homossexualidade, “descoberta” da homossexualidade com excesso de vergonha, Glow poderia muito bem se passar nos dias de hoje, mas voltamos aos anos 1980 em grande estilo. Podemos matar a saudade das Mulheres Gloriosas da Luta Livre – Em inglês GLOW.

Esta temporada me prendeu de cara pois apesar de tudo que passou e do mal que causou, a anti-heroína Zoya ou Ruth consegue ter seus momentos de glória e quem diria felicidade. Por falar em protagonistas, Debbie ou a heroína Libberty Belle finalmente é exposta pela pessoa que é: mesquinha, boba, invejosa, enfim humana. É interessante observar o embate das duas antes melhores amigas, pois percebemos que Ruth e Debbie ainda não notaram que são duas mulheres em um mundo de homens, feito por homens, para os homens e que se quiserem perseverar precisam se unir. GLOW depende delas. Será que aparando essas diferenças o show pode continuar?

Sam continua sendo uma das maiores figuras da série. É mal-humorado, rabugento, rancoroso e agora precisa ser um pai pois Justine deixou o elenco e precisa de seu apoio para levar a vida normal de adolescente. Uma “ex GLOW” normal? O pobre Sam que espere pois entrará em uma espiral de confusões e nesse processo descobrirá um sentimento que me encheu de alegria, só para depois quebrar a cara. Afinal de contas, se algo desse muito certo não seria GLOW.

O elenco de apoio continua brilhando, as meninas parecem mais unidas, apesar de um ambiente cheio de mulheres tentando brilhar, não ser exatamente uma irmandade unida, coesa e perfeita. Apesar das brigas, apesar da “apropriação inadequada” de personagens, o surgimento de Yolanda e a volta inesperada de Cherry trazem um tempero e um humor que só GLOW tem. Além do quê esta temporada, traz um foco maior em Bash, nosso apresentador falido, engraçado, que acaba precisando enfrentar alguns demônios.

O final tem tudo para ser a maior tristeza. Mas este é simplesmente incrível, com a redenção de uma personagem que estava entalada em mim, Sam sendo um fofo, a pobre Carmem ajudando quem precisa e se redimindo, muito, mas muito Girl Power! Simplesmente imperdível! Mas, como tudo em GLOW e em um mundo majoritariamente feminino, as dificuldades aparecem: grandes, horríveis e até nojentas. Mas de maneira inesperada, mas inesperada mesmo Sam nos dá a esperança de mais um capítulo. E tudo acaba ao som de mais um clássico. Literalmente.
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