Conheça: The Deuce

Por Janaína Guaraná

16 de julho de 2018


Lançada dia 25 de agosto de 2017 e com uma segunda temporada confirmada, a HBO dá força aquele velho burburinho que suas series sempre se sustentam de alguma forma com base na nudez e violência, ganha fôlego com The Deuce. Porém a série de TV criada por David Simon sabe usar essa conversinha mole a favor da sua trama e de uma forma peculiar. 

O produtor mais uma vez, cria um panorama com várias subtramas que se cruzam de forma natural, e o contexto é a Nova York dos anos 1970 e 1980, período crítico de abandono e desesperança da cidade, e as subtramas envolvem tipos próximos de párias sociais: prostitutas e seus cafetões, apostadores, empreendedores da noite. James Franco e Maggie Gyllenhaal encabeçam o elenco (inclusive, aparecem nus no primeiro episódio). 

A indústria pornô eventualmente se tornará o tema central da série, cuja primeira temporada só tem oito episódios. O protagonista Vincent (um dos irmãos gêmeos que Franco interpreta) chega a Manhattan de metrô vindo do Queens com a maior cara de derrota, é como se o trajeto em si fosse algum tipo de punição. Mas o principal, é esse vaivém entre os espaços de NY que externa as distâncias emocionais entre os personagens. 

Então quando esses personagens se cruzam, como quando Vincent testemunha uma agressão vinda de um cafetão que também acompanhamos desde o começo do episódio, isso se amplifica porque conseguimos entender bem o espaço de cada um. Então David Simon usa bem a expectativa de nudez e violência a seu favor: porque estamos na Nova York de 1970, esperamos mesmo a violência, mas ela só vem em certos momentos, depois de muito suspense, e é possível entender que essa violência nasce, antes de tudo, do emaranhado que é a vida desses personagens. 

Tem sexo e muito. Gyllenhaal, mais acostumada a fazer papéis de ingênua do que de prostituta, não ficou preocupada. “Como todos os papéis que interpreto, Candy é parte de mim, embora criada em outras circunstâncias”, explica sobre um trabalho até libertador do qual não lhe custou sair no final das filmagens porque sabia que estava interpretando uma mulher, uma artista, com desejos de empoderamento. “Como digo na série, o sexo é o meu trabalho. ” 

A computação gráfica na recriação da Nova York dos anos 70/80 é impressionante, te transporta para aqueles dias sem esperança e de total desolação como se estivéssemos sentados no café presenciando as ruas inundadas de caricaturas de si próprio, pessoas que buscam simplesmente sobreviver a mais um dia, a ganhar à vida, a mudar de vida, a criar a vida, a corrupção latente e a prostituição antes mesmo da indústria pornográfica. The Deuce é a aposta dos críticos como a mais nova grande série da HBO, será?
Comentário(s)
0 Comentário(s)