Cinema em Foco - Euphoria

Por Janaína Guaraná

5 de julho de 2018


O drama bucólico Euphoria, traz a ganhadora do Oscar (A Garota Dinamarquesa) Alicia Vikander como protagonista, é escrito e dirigido por Lisa Langseth, as duas são colaboradoras usuais e a atriz participou dos dois últimos filmes da cineasta (Pure e Hotel Terapêutico). Em Euphoria a dupla traz Eva Green, no papel da irmã terminal da personagem de Vikander. 

A ideia é apresentar como numa fotografia amarelada, o relacionamento de duas irmãs que não se veem há anos e vivem sozinhas no próprio sofrimento após a morte dramática da mãe. E agora precisarão em poucos reencontrar a conexão que todos irmãos possuem. Uma vez que Emile (Green) possui uma doença terminal e escolheu o próprio jeito de partir e Ines (Vikander) que vivia consumida pela própria dor tem que ajudá-la nessa partida. 

Talvez o maior problema da obra é deixar aberto o fato que as irmãs nunca foram próximas. Consumidas desde a infância pela partida do pai e impossibilidade da mãe em seguir em frente, cada qual se fechou em seu próprio mundo e as boas memórias são tão distantes que talvez tenham caído no esquecimento. Assim como em momento algum sentimos que tal conexão esteja sendo reestruturada. 


Os sentimentos que precisavam ser grandiosos, são extremamente diluídos que não causam identificação com esta trágica história. Vikander e Green não possuem química alguma, exatamente como irmãs que não compartilharam a vida da mesma forma, as feridas profundas cicatrizaram de diferentes modos e como desconhecidas que não tem tempo para construir essa conexão. Embora a intimidade entre irmãos é tão forte que mesmo após anos separadas sendo consumidas pelos próximos deveríamos ver alguma ponta disso na evolução do filme. 

Particularmente, eu senti vergonha em algumas cenas, como uma específica que deveria gerar um grande momento emocional, na qual as duas se abrem e contam histórias nunca antes reveladas, se torna tão envergonhado quanto falar de sexo com os pais. Por vários momentos desviei o olhar, ao ver uma relação tão superficial e efêmera que nada me lembra a vida que levo com meus irmãos. 

Se vale a pena? Sim, a fotografia é maravilhosa, as atrizes são excepcionais e aquele nó na garganta que sentimos ao ver como somos frágeis e não conseguiríamos viver sozinhos não se desfaz após o fim do filme. A vida acontece de diversas formas diferentes, mas em todas elas, o que nos move é continuar porque vale a pena tomar chá de manhã com quem amamos, mas há quem não tem o “quem”.
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