Cinema em Foco: Disobedience

Por Janaína Guaraná

16 de julho de 2018


Baseado no livro homônimo escrito pela autora britânica Naomi Alderman e publicado originalmente no Reino Unido em março de 2006, a trama de “Desobediência” mostra Ronit (Rachel Weisz) voltando para sua cidade natal após a morte de seu pai, um rabino. Lá, ela reencontra Esti (Rachel McAdams) e revive com ela um amor de infância. No entanto, Esti agora é casada com o primo de Ronit, Dovid (Alessandro Nivola, de “O Mago das Mentiras”), condição esta que desencadeará um enorme desconforto no local e acarretará desdobramentos dramáticos ao romance proibido. 

Com o clima sombrio e apaixonado de uma comunidade judia, Ronit é recebida com cortesia ártica por aqueles quem um dia ela abandonou, para uma vida de liberdade. Seu retorno desencadeia uma série de acontecimentos na pacata comunidade, precisamente seu encontro com Esti, um amor proibido e adormecido. 

Fora da comunidade judaica durante um passeio das duas amigas, onde finalmente vemos a luz do sol e o filme enfim se ilumina, deixando claro o aspecto soturno da vida naquela sociedade, vemos a cena que deixa o filme: Azul é a cor mais quente para trás, com química que explode nas telas e mostra o momento de liberdade extrapolada, quando não cabe mais dentro de um momento e precisa-se fazer ato, algo concreto, que habitará na memória da epiderme e das canções que se canta inebriado altas horas da psique.

Rachel Weisz tem de fato sua melhor performance da década, de tons suaves e agressivos, a própria contradição de sua personagem. Rachel McAdams também está acima da média e num momento de introspecção digno de nota, vivendo aprisionada E o subestimado Alessandro Nivola mais uma vez brilha na tela com um personagem de nuances enraizadas e cheio de contradições. 

Polêmico por tocar em temas delicados, como tabus relacionados à sexualidade e a questões religiosas, trata-se de uma belíssima visão sobre o difícil ato de libertação de pessoas enclausuradas, por querer ou sem querer, e cuja absorção de seus próprios desejos e atitudes será cobrado até por si mesmos.A aceitação que não sabemos quem somos, não temos todas as respostas, nem somos melhores ou piores por causa das nossas crenças. Mas, sim, somos capazes de tentar entender quem amamos, quem é o que é e ama quem ama. Podemos sim, abraçar quem amamos.
Comentário(s)
0 Comentário(s)