Literatura Em Foco - A Sorte Segue a Coragem

Por Alvaro Luiz Matos

15 de junho de 2018

Somos frutos do cosmos ou de nossas ações? Somos resultado de um determinismo incessante ou efeito do que fazemos? O que é caso e o que é acaso?

Bem, a filosofia historicamente estudou a existência e procurou retirar dela as leis que regem nossa vida. Dando-nos diversas versões do que é mais ou menos ético, qual o comportamento correto para se ter na polis, em sociedade; mas não se iluda, a filosofia não procura determinar qual tua forma de pensar, ela procura apenas ajustar as observâncias de alguém que vive no ócio, a vida cotidiana daqueles que ignoram o objetivo ou o existencialismo do ser.

É assim que Mário Sergio Cortella costuma montar seus livros, dando significado às palavras e tirando de suas semânticas uma melhor interpretação da vida e do dia a dia.

Afinal, existe sorte?

Bem, nosso filósofo e pensador contemporâneo vem mostrar com uma de suas frases mais icônicas que “A Sorte segue a coragem”, pois somos frutos de preparação, de instrução e adequação às oportunidades que nos aparecem. Sendo assim, você pode até estar no local certo e na hora certa, mas sem bagagem, sem repertório e preparo, você verá escorrer por tuas mãos todas as suas oportunidades.

Mas somos causadores de oportunidades? Bem, o autor explica:

“Estou fazendo a oportunidade? Não, estou fazendo a hora. A hora é agora, preciso estar em estado de prontidão para, quando a oportunidade surgir, eu esteja apto à segura-la”.

Portanto é importante estar preparado para que possamos não só aproveitar as oportunidades, mas observa-las, enxerga-las. O foco naquilo que esperamos, é a chave para que você transforme aquele momento em “sorte”, afinal, quem não sabe para onde quer ir, qualquer lugar serve. Outro atributo importante é a paciência, o esperar, aguardar. Atributos que não devem vir carregados de ociosidade e impotência, mas sim de preparo, de conhecimento e prontidão.

Entre temas relacionados ao tempo, ao preparo, ao estudo e ao foco no objetivo e resultado, Cortella, traça uma leitura muito leve, onde fica claro o objetivo e a mensagem do livro, tratando ainda a importância da ética dentro desse comportamento. O Autor afirma que nosso padrão cria as ocasiões, e não o contrário, pois estamos propensos às situações das quais procuramos e de alguma forma ajudamos a construir nesse processo de casualidades ordenadas.

A resposta é simples: Não somos casuísticos (embora existam situações das quais não possuímos controle) e não somos guiados por um determinismo do cosmos, restando então a nós apenas a obrigação e a consciência de que precisamos criar nossa própria sorte.

“Por isso, é preciso insistir num ponto: Não é o destino que constrói as minhas rotas, mas há casualidades sobre as quais eu não tenho ingerência. É o lugar do imponderável, a enfrentar com coragem”.
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