Literatura Em Foco: Snoopy – Primeiro de Abril

Por Ana Silvia Soeiro

31 de maio de 2018

A equação é das mais simples: você está apaixonada (o) por um garoto (a), o que deve fazer? Obviamente chegar junto e se declarar, não? Não. Se você é um certo garoto, filho de um barbeiro, irmão de uma garotinha perdidamente apaixonada pelo seu melhor amigo que vive grudado com um cobertor azul, as coisas não são tão fáceis assim. E Shakespeare, Victor Hugo, ou qualquer um dos meu autores favoritos que me perdoem, mas a referência máxima de amor platônico real nesta vida é, e sempre será Charlie Brown e a “menininha ruiva”. Romeu e Julieta sofreram um amor “real”, mas é difícil ignorar o que o pobre “Minduin” sofreu pela garota mais bonita da escola.

Poucos personagens refletem tão bem as emoções e conflitos do ser humano quanto Charlie Brown e sua turma. Incluindo nessa turma o beagle mais famoso de todos os tempos: Snoopy. Snoopy é um dos casos em que criatura se torna mais famoso que o criador, caso vivenciado por Sir Arthur Connan Doyle e o famoso Sherlock Holmes. O beagle tornou-se mais famoso inclusive que seu dono, o garoto que mais sofre, também conhecido como Charlie Brown.

Nessa edição que reúne algumas das melhores tirinhas de Snoopy e sua turma, a Cosac Naify já encanta os fãs pelo sempre primoroso trabalho de encadernação. Se você é desses fãs que se apaixonam sem remorso pelas capas primeiro e depois de dois segundos pensa no conteúdo, tem um presente nas mãos. As tirinhas navegam pelos já conhecidos conflitos amorosos, garotas superpoderosas, amores não correspondidos, amizades verdadeiras, cães geniosos, cães que são gênios, humor, fofura e te presenteia com os melhores momentos da infelizmente malfadada carreira de escritor do pobre Snoopy.
 
Quando criança sempre fui apaixonada por Snoopy e sua turma e depois de adulta passei a acompanhar o universo com um olhar um tanto diferenciado e entender finalmente o dia a dia da turma e as mensagens que eles queriam passar. Apesar de ainda rir sem culpa das “tragédias” do pobre “Minduin”, entendo o que um coração partido faz (ah se entendo!), entendo e agradeço pela oportunidade maravilhosa de crescer com referências de heroínas como Sally, Lucy e a adorável e totalmente “bad ass” Paty Pimentinha. Todas as três são referências em protagonismo feminino, como dar um bom soco, garotas podem jogar o que quiser, não apenas brincar de boneca e a minha preferida, Paty Pimentinha é minha referência eterna em “como encarar a segunda-feira”! 

A obra de Schultz tem muito dessas características, você se identifica com um ou às vezes com todos os personagens. E tudo bem se a Lucy é a fortona, que “sai no soco” com todo mundo por qualquer coisa, mas vive no pé do Schroeder, que só quer saber da “porcaria do Beethoven”! Não somos nós invariavelmente assim quando se trata de um grande amor? O que nos aproxima de Snoopy e sua turma é que seus conflitos são os NOSSOS conflitos. 

Ao terminar de ler as tirinhas depois de umas cem vezes e nunca enjoar, só me resta parafrasear um dos meus personagens preferidos: “Que Puxa!” – Brown, Charlie.
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