Digimon Adventure Tri - Bokura No Mirai

Por Alvaro Luiz Matos

31 de maio de 2018

A nostalgia é dona da nossa sede, da nossa saudade e de nossa alma. Uma analogia simples entre um anjo e a esperança é uma casual demonstração de uma cultura de massa que procura acima de nós um protetor para o mal, um protetor para nós mesmos.

Esse ano ainda, fiz em minha panturrilha uma tatuagem com o símbolo da coragem, um sol que está lá a brilhar para nós, uma entre tantas civilizações de um universo vasto. Somos pequenos, insignificantes e isso já basta para deixarmos de lado qualquer certeza sobre tudo, pois, assim como no mito da caverna, enxergamos apenas reflexos.

Povos antigos, do norte da Europa, acreditavam em uma arvore suprema, que dividia o mundo em nove partes. De forma simples tínhamos a terra dourada de Asgard, tínhamos Midgard onde viviam os homens e o mundo sombrio onde viviam os mortos e em seus frutos encontravam-se as respostas de todos os segredos do mundo.

Não é incomum que essa figura seja utilizada em contos que ultrapassam os séculos, muito menos nos animes que contam histórias de superação de seus protagonistas. Comumente utilizada de forma vilãnesca, a yggdrasil tem o poder de destruir essa interface entre os mundos, os vivos e os mortos, o bom e o ruim.

Bem, pareço um pouco dramático após essa introdução, mas não tem como não falar assim ao se despedir de Digimon, alias foi exatamente essa a tônica no nosso último filme. Tivemos um episódio extremamente carregado de emoção, afinal, Bokura No Mirai nada mais é do que “nosso futuro”, e só preparamos o futuro com base naquilo que adquirimos de experiência em nossas jornadas.

O mais difícil é descobrir quem estava do lado certo e quem estava do lado ruim, Homeostase e Yggdrasil são dois lados de uma moeda de injustiças. Uma crendo no equilíbrio a todo custo e o outro na destruição de tudo, uma vez que tudo que está ai está carregado de impurezas.  

Bem, se despedir é realmente difícil, ainda mais quando você não faz ideia do que está para acontecer, não é mesmo?

Devo admitir que não estou no meu melhor momento para escrever, mas se você não é fã e essa história não fez parte da sua vida, talvez você não vai entender a carga emocional que esse episódio nos trouxe. Mas foi quando descobrimos que toda a luz estava dentro de Meicomon, assim como as lembranças de todos os nossos digimons queridos, não houve mais como segurar as lagrimas.

Então gostaria de lançar nesse momento um desafio. Se todas as suas memórias fossem apagadas? E aquelas pessoas pelas quais doou sua vida, ou se doaram para você, não lhes fizesse mais sentido? Se seus mais belos dias não passassem de um vazio eterno, e você não pudesse mais olhar para o passado e se lembrar das aventuras, dos desafios e de tudo o que superou para estar próximo às pessoas que você ama. O que sobraria de você? Bem, te garanto que minha vida está um tanto enraizada no passado, nas lembranças de quem amei e de quem amo, na saudade daqueles que se foram (que ironicamente foram as pessoas nas quais sonhei essa noite toda). Como seria o nosso futuro, sem a lembrança do nosso passado?

Talvez aquelas lágrimas que escorrem em meu rosto, passem a fazer algum sentido agora. Talvez sejam terapêuticas, talvez sejam apenas quem sou.

Depois disso uma batalha final, onde tudo se encerra deixando uma possibilidade de mais histórias, mais batalhas e mais Digimons. Espero mesmo que venha mais.

Entretanto, antes de ir embora, quero viajar mais um pouco e perguntar a vocês: Loucos são aqueles que ignoram o mundo como é e vivem teu próprio universo de amor, felicidade e luz; ou aqueles que procuram, contra tudo ou todos, aceitar a realidade dos outros e viver infeliz em um mundo de pré concepções, de conceitos formados e de real infelicidade?

Bem, a escolha é tua, pois cada um é responsável pelo teu próprio futuro.

Dandan.

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