Cinema Em Foco - Loving, Vicent

Por Elizabeth Silva

28 de maio de 2018


Loving, Vincent (Com amor, Van Gogh) é um filme bibliográfico que nenhum neste mundo pode se comparar. Digo e afirmo que não estou sendo influenciada pessoalmente por sempre ter admirado e me interessado por este artista e por amar cada uma de suas obras. Mas digo isso porque mesmo sem a pretensão de ser grandioso, de fazer milhões ou algo do gênero, Loving Vincent entrou para uma pequena lista minha, é o segundo filme mais sensível que eu já tive a honra de conhecer. 

Quando vi a notícia que o mesmo iria ser produzido, fiquei a dias esperando por mais notícias dele e assim que saiu, o mesmo foi sendo tão elogiado e eu estava maluca procurando uma maneira de assistir e para minha salvação, a queridíssima Netflix trouxe para sua plataforma essa incrível obra prima.

A ideia original da produtora Dorota Kobiela era de um curta metragem em forma de animação. Mas, a ideia evoluiu enormemente, nos rendendo um filme de uma hora e quarenta minutos, mais ou menos, que apesar de parecer simples, a criação dessa deslumbrante obra envolveu uma superprodução, afinal, Loving Vincent é uma animação estilo movie frames, que envolveu 65.000 quadros que foram pintados em óleo sobre a tela, na mesma técnica de Van Gogh, por 115 pintores. É a primeira animação completamente pintada!

A história foi criada e dirigida por Dorota e Hugh Welchman, aborda a jornada que o pai, e carteiro, do jovem Armand Roulin lhe incumbiu logo após a morte de Vincent. A última carta que ele havia escrito e estava destinada a seu irmão, Theo a pessoa que ele mais confiava em sua vida, não havia sido entregue e mesmo morto, o carteiro que era amigo de Vincent queria honrar a sua memória realizando este ato, mesmo que o próprio não pudesse ir. A partir daí nós acompanhamos Armand e vemos a passagem da sua indiferença por Vincent para um rapaz preocupado em honrar a memória do homem que nunca chegou a conhecer verdadeiramente, mas que ansiava por entender os motivos que levou ao seu suicídio.


Mesmo que não seja um filme investigativo, assim como Armand, sentimos a necessidade que a vontade daquele homem, mesmo que já morto fosse realizada. Encontrar a pessoa que merecia realmente possuir a última carta dele passa a ser muito mais importante quando ouvimos, junto com o protagonista, a vida que Van Gogh levava antes de tudo acabar. Tentar entender o motivo para ter feito o que ele fez, ou não fez (há uma intriga em relação ao suicídio do mesmo). Não é apenas curiosidade, é buscar uma resposta que apenas a pessoa que se foi poderia lhe dar, uma resposta para mudar a maneira como enxergamos nossa vida e a dos outros. Por qual tamanho sofrimento alguém passava para dar fim a eles de forma tão... abrupta? O filme se baseia a grande parte de seus personagens nas próprias pinturas de Vincent ou nas pessoas com as quais viveu, e também nas cartas que o mesmo trocava com seu irmão Theo, que infelizmente faleceu não muito depois.

É lindo de se ver realmente, quem nunca viu durante a vida escolar alguma obra dele? Ou ouviu sua história? Ver as pinturas dele tomando vida é algo mágico, para dizer o mínimo, parece por breves momentos que finalmente entramos no mundo de Van Gogh e a beleza que ele via. Nem preciso dizer que o filme me arrancou lágrimas no seu final, é definitivamente tocante, sensível e humano na sua forma mais pura. 


"Quero tocar as pessoas com minha arte. Quero que digam: Ele sente profundamente, ele sente agudamente." - Vincent Van Gogh
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