13 Reasons Why - Segunda Temporada

Por Ana Silvia Soeiro

29 de maio de 2018


Hanna Baker está “de volta”. Quando eu vi um dos vídeos promocionais da segunda temporada da famosa série 13 Reasons Why pensei como a maioria, que tudo giraria em torno da trágica história da protagonista. Estava enganada, esqueci de olhar em retrospecto que a história de Hannah é afinal de contas a história de toda uma comunidade. É a história dos que sobreviveram à Hannah.

Confesso que não estava preparada para a continuação dessa história. Confesso que achei, não sei porquê, que na continuação “tudo daria certo”. Esqueci que este não é um conto de fadas. Contos de fadas não existem. Explico. Quando eu digo que achava que “tudo daria certo”, me refiro ao fato de entrar de cabeça na ideia de que a pessoa que contribuiu de maneira mais significativa para o ato de Hannah seria levado a justiça. Seria responsabilizado por seus atos. O problema é: existem muitos Bryces na série, e então eu percebi que sim, a vida real é cheia de Bryces. Na verdade, nós mesmos podemos agir como ele às vezes. E isso é assustador. Na vida real, assim como na arte aprendemos que cada história tem mais de dois lados, a própria Hannah “mostra” isso a Clay.

A segunda temporada de 13 Reasons Why é na verdade, em grande parte não apenas a continuação de uma tragédia. Em meio a tanta tristeza podemos ver a luta desesperada de Clay por justiça, a luta de Olivia – mãe de Hannah – por justiça. Nenhum dos dois quer dinheiro, eles querem apenas que cada um dos responsáveis entenda a responsabilidade de seus atos, é mais do que “pagar”. E graças ao esforço deles, temos cenas memoráveis no banco das testemunhas. Não apenas “confissões” do que foi feito com Hannah, mas naquele banco alguns personagens puderam perceber a totalidade de seus atos e que sim, o que fizeram foi monstruoso. Hannah, não pode mais perdoá-los. Eles mesmo terão que buscar esse perdão.

 

Falando em perdão, finalmente é explicada a “presença” de Hannah durante a série. A verdade é que por experiência própria é difícil ‘perdoar” aqueles que nos deixaram, é difícil ser um “sobrevivente”. E fazer o que Clay fez na igreja sinceramente me parece impossível. No final desse episódio eu me peguei desejando ter a maturidade de um adolescente que foi espancado, torturado, perdeu um grande amor e precisou socorrer uma pessoa que deveria odiar. Eu queria ser Clay Jensen. Pelo menos uma parte dele.

Infelizmente aprendemos que existem ainda muitos jovens na mesma situação que Hannah. Sofrendo por conta da estupidez alheia, por conta de uma cultura que privilegia uns em detrimento de outros, que não respeita as diferenças. Incentivar ou mesmo tolerar esse comportamento na idade deles é extremamente perigoso. Eu não estava e nunca estarei preparada para entender o que fizeram com o Tyler. Mas me pergunto: o que posso fazer para mudar isso? E você?

Comentário(s)
0 Comentário(s)