Torneio De Animes - Pokémon Vs Digimon (Parte 1)

Por Alvaro Luiz Matos

28 de abril de 2018

A um mês da estreia do nosso torneio de animes e finalmente está na hora de mudar de desenho, escolher uma batalha que seja tão nostálgica quanto o anterior e que evoque uma rixa antiga? Talvez essa seja uma das maiores brigas da minha infância, todos eram fãs desses monstrinhos, mas Pokémon era muito mais popular que Digimon e só de iniciar a briga já eram facilmente vencidos pelos fãs ensurdecedores de Pikachu e companhia.

Mas agora, mais velhos, vamos avaliar um pouco mais do que a popularidade, vamos avaliar roteiro, tema, personagens e outros detalhes tão importantes quanto essa maldita popularidade.

Pokémon já tem mais temporada do que você imagina, cada hora Ash está em um lugar do mundo, os personagens que o rodeiam mudam, os monstrinhos, arrisco a dizer, já beiram a mil e seria humanamente impossível rever tudo para essa matéria. Já Digimon sofre com temporadas isoladas e isso é o primeiro ponto negativo que torna o anime um pouco chato, entretanto a temporada inicial ganhou duas continuidades, onde a primeira tentativa foi muito mais do mesmo, aproveitou pouco dos personagens originais e derrapou feio. Já a segunda (atual) um produto muito bom de ser consumido, com novos traços e uma nova visão.

Portanto, vamos fazer isso da forma correta, vamos dividir essa batalha entre o produto original de cada um dos desenhos, depois dizer onde cada uma se encontra e o que cada um aprendeu depois desses anos.

BATALHAS:
Pokémon (Indico League) Vs Digimon Adventure
Pokémon (Sun And Moon) Vs Digimon Adventure Tri

Pokémon (Indico League) Vs Digimon Adventure

Eram bem mais de 100 monstrinhos diferentes, alguns eram evoluções de outros, existiam elementos específicos, alguns com vantagens a outros, havia a necessidade de ir atrás e caçar cada um desses monstrinhos com uma bola para que aquele Pokémon passasse a ser seu. Você montaria seu time, treinaria seus monstrinhos e participaria de torneios depois de conquistar algumas insígnias. Portanto, viajar pelo mundo era uma obrigação, conhecer o desconhecido, cenários diferentes, novos desafios e a cada episódio conhecer ao menos um novo monstrinho.

A temática é interessantíssima, brilha nos corações dos fãs até hoje, existia uma história maior, muitas coisas novas a se conhecer. Quem nunca quis jogar Pokémon Go só para sentir aquilo de ter seu próprio time, de lutar em ginásios, desafiar os amigos? E isso não é novidade dos dias atuais, aliás quantas versões de jogos foram criadas e vendidas para o Gameboy, baixadas ilegalmente em computadores e celulares, foi uma febre.

Mas se a temática convence, o desenho talvez nem tanto. Não existia um antagonista interessante, (Ash até tinha seu rival que apareceria esporadicamente) a Equipe Rocket, que era engraçadinha às vezes, sempre cortava toda a linha de raciocínio dos episódios, além de não funcionar como vilões. Toda vez que eles apareciam era o momento do salto do roteiro, que unia e resolvia a aventura da vez, mas funcionava muito mais para o mal do que para o bem, assim como todo o roteiro, a equipe era infantilizada.

Pokémon tem a capacidade de fazer a mente viajar, abre opções, mas nunca explorou tais opções com eficácia. Houveram bons e maus momentos, mas todos os episódios eram vazios de roteiro, eram aventuras infantis que pouco agregariam a algo maior.

A magia estava lá, mas Pokémon era um case sucesso, de popularidade e não de qualidade.
Já Digimon tinha muito pouco em comum, a não ser seus monstrinhos. Eram crianças escolhidas por serem especiais: Um pela coragem, outro pela amizade, conhecimento, esperança e por aí vai. Eles caíram em uma ilha dentro de um universo conhecido como Digimundo, e conheceram lá seus Digimons, que os esperavam.

Ali eles passaram episódio atrás de episódio conhecendo um pouco mais daquele universo, seus Digimons ganhavam força temporariamente e digievoluiam para salvar seus amigos. Teoricamente a história era mais pobre, mas cada personagem tinha uma característica, eram levemente mais bem trabalhados; o roteiro evoluía e aos poucos você se sentia dentro de um mundo cheio de vilões a serem derrotados.

Digimon tinha uma trilha sonora melhor, era mais aventureiro, tudo era novo, era outro mundo, com novas leis, novos desafios. No primeiro momento eles só queriam sobreviver e aos poucos foram entendendo os motivos de terem ido parar naquele lugar. A ilha era apenas o começo e havia muito mais além dela no digimundo, um problema ia sobrepondo o outro e os espectadores esperavam o que viria a seguir.

Enquanto em Pokémon queríamos conhecer e capturar cada um dos bichinhos, em Digimon queríamos derrotar o mal e nos sentirmos também escolhidos.

Não sei vocês, mas Digimon entregava uma obra fechada, com início, meio e fim, e Pokémon sabia que não precisaria entregar um fim. Por isso deu início as jornadas em filmes, onde encerravam grandes arcos, mais fortes e imponentes.

Mas como aqui estamos analisando o desenho, parecia pouco, parecia que nunca chegaria ao final, que dávamos voltas em círculos.

Sem dúvida eu consideraria um empate, pois de lado temos um produto altamente valorizado, que encantou milhares de crianças e do outro um desenho muito mais interessante de assistir, menos redundante, com início, meio e fim.

Portanto, devo deixar a decisão para o próximo texto, pois só ali conseguiremos saber se as impressões eram apenas impressões.
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