Literatura em Foco - Origem de Dan Brown

Por Ana Silvia Soeiro

6 de abril de 2018

Fonte: http://ow.ly/Lv4O30jmfbz

Robert Langdon não consegue ficar longe de problemas. Ao que parece o professor de simbologia de Harvard, leva a vida que a maioria dos professores sonha: cada tropeço o leva a diversos países, sítios históricos, e de preferência, no caso de “Origem”, bastante ensolarados. 

O livro começa com as propostas mais ousadas e mais procuradas por grande parte das pessoas, responder às perguntas: “de onde viemos?” e “para onde vamos?”. O leitor já fica particularmente interessado, misture aí uma boa dose de seitas estranhas, inteligência artificial “diabolicamente inteligente”, moças bonitas, um príncipe misterioso, igreja católica agindo de maneira obscura, o já citado e famoso Robert Langdon e então você tem a fórmula para um sucesso, certo? Não. 

Em minha opinião, Dan Brown é repetitivo em “Origem”. Parece que cada vez que Langdon “espirra”, está formado o palco para um acontecimento que vai mudar a história da humanidade. Neste caso, o “chamariz” do livro é bom: responder à duas perguntas que vem “assombrando” a humanidade desde sempre. Mas pouco é acrescentado. 

Também achei maravilhoso o fato de um dos protagonistas do livro ser um ateu convicto. Brown precisou de coragem para dar voz às pessoas que desprezam qualquer um que ladre a velha ladainha de “só existe a minha verdade”, ou “só a religião é a verdade” (#TeamEdmond). Hoje em dia é cada vez maior o número de ateus ou gnósticos e a visibilidade é interessante, nada mais importante do que discutir e inserir a diversidade de pensamento e nisto Dan Brown é excelente. 

 Fonte: https://cdn-images-1.medium.com/max/1600/1*JEo89RakmcSEzLz_4X4kkg.jpeg

A trama, obviamente é muito bem amarrada. Os personagens são sólidos, bem construídos, a narrativa é impecável. Você sempre se imagina, em qualquer livro de Brown, caminhando pelos locais, correndo com Langdon para decifrar um segredo vital em Paris ou em Barcelona. Mas como eu disse, o final me pareceu sempre previsível, tirando a surpresa proporcionada pela homenagem à um dos homens responsáveis por mudar o curso da Segunda Guerra Mundial. Não é que eu não estivesse interessada na resposta de um “colega ateu” às perguntas principais, é que eu tenho maturidade para entender que qualquer versão que eu escute pode e deve ser respeitada. 

Finalmente, eu recomendo sim a leitura de “Origem”, apesar de tudo. Fiquei emocionada com as palavras de William Blake “as religiões escuras ficaram no passado, e reina a doce ciência”. Precisamos sim de debates maduros, embasamento teórico, especialmente em tempos de “doutores do achismo” em redes sociais. Dan Brown é matéria de faculdade? Não, mas até para discordar você precisa pesquisar sempre, em meu caso pelo menos. Para a turma “formada em rede social, com pós em gerenciamento de grupos”, eu aliás é só o que eu recomendo: menos “achismo” e mais leitura. Menos Fake News e mais Blake. O mundo agradece.
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