Primeiras Impressões - O Mecanismo

Por Alvaro Luiz Matos

25 de março de 2018

Somos um site de opinião e quando a série fala sobre assuntos tão ou bem mais polêmicos do que este, damos nossa opinião não só sobre a obra da dramaturgia, mas também sobre o assunto abordado, nada seria mais natural.

Portanto opinião política sim, opinião partidária não. Política no conceito geral de polis, de sociedade, sobre o ativo que debate o melhor caminho para um todo maior, isso sim precisa e sempre será dito (Como já mencionei em meu texto sobre o livro “politica para não ser idiota” de Cortella e Janine). Aliás, expor uma opinião de direcionamento é sim um ato polipolí, até mesmo quando você diz ser apolítico, se diz odiar a política, você obviamente está tomando um ato puramente político.

Entretanto, se você veio aqui defender cores de um partido, seja do lado “S” ou do lado “D”, do corrupto de cá ou do corrupto de lá, dê meia volta, não cite nomes, não faça deste texto seu palanque, pois aqui vamos abordar com isenção partidária (farei o meu melhor).

Dito isso vamos começar pelo começo, e o começo é exatamente como eu esperava, a narrativa idêntica à tropa de elite, a mesma forma de introduzir um roteiro utilizado pelo Padilha no início do seu maior trabalho na história, e não digo maior por tamanho e dimensão, digo maior pois foi ali que o diretor se lançou ao mundo. 

Com um pouco menos de grife as câmeras possuem as mesmas tomadas de Narcos e o texto a mesma quantidade de palavrões que Tropa de Elite, portanto a escola Padilha é facilmente observada e eu não vou precisar citar mais isso daqui a diante, combinado?

Vale dizer que também que temos duas grandes lendas na atual dramaturgia brasileira, Wagner Moura e Selton Mello, e mesmo que eu vá receber críticas ao dizer tal ‘absurdo’, se quem sou eu para afirmar isso, quem é você para negar, certo? Brincadeiras a parte, Selton Mello me prendeu depois de seguidos bons trabalhos como diretor e ator, vale lembrar de A Cura e Meu nome não é Jhonny.

Sim Selton Melo com raiva não convence, mas Selton Mello a beira de um colapso, passivo agressivo convence e convence muito.
O que me surpreendeu foi a série ter uma segunda narradora e não só o, até então, protagonista. Tenho algumas teorias para tal acontecimento: O primeiro, óbvio, dar importância também à personagem Verena, interpretada por Carol Abras; a segunda é evitar algo que aconteceu em Narcos, ter que em um futuro próximo ter que alterar o narrador da série e causar estranheza ao público. Tanto a primeira, quanto a segunda alternativa abre portas para a morte de algum dos personagens, seja na primeira, segunda, terceira ou décima temporada.

Sim, ficou parecendo previsão de cartomante, mas o certo mesmo é que o roteiro procurou criar uma lenda, um personagem forte, temperamental e tirou ele do foco para dar voz e força a uma segunda personagem. O interessante é que assim, ao retornar, Marco deverá dar ainda mais pegada à série, que já indica episódios mais velozes ao final da temporada.

Muitos irão reclamar minha omissão à óbvia menção a Lula e Dilma nesse episódio, mas ambos, a meu ver, são personagens da nossa politpol e, culpados ou não, serão mencionados em algum momento. Portanto acredito que tem de ter bala na agulha para colocar a carinha deles lá, e disso eu não irei reclamar em nenhum momento, afinal tenho certeza que mais alguns aparecerão, seja com helicópteros de cocaína ou certo vice tramando algum golpe (novamente, culpados ou não).

Para mim um ótimo episódio de entrada, uma narrativa agradável, uma evolução bastante eficaz e uma esperança: Será que a gringolândia vai gostar tanto quanto gosta de Narcos? Afinal a estrutura por trás de tudo é bem parecida.

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