Literatura em Foco - Os Filhos de Anansi

Por Ana Silvia Soeiro

16 de março de 2018



Neil Gaiman é um dos escritores mais consagrados da atualidade e é um prazer conhecer aos poucos suas obras. Uma delas é o magnífico “Os Filhos de Anansi”.

A história do livro começa deliciosamente simples: um cara comum, Fat Charlie que vive uma vida também comum, vai casar com uma mulher aparentemente simples e almeja aquele tipo de estabilidade tão desejada. Até que sua noiva, Rosie, decide que para a cerimônia de casamento ser completa, Fat Charlie deve convidar o pai, seu único parente vivo para ela. Aí começam os problemas.

Fat Charlie sempre teve uma relação conflituosa com o pai, Mr. Nancy, um senhor amado por todos os que o conheciam (pelo menos os humanos), mas que adorava fazer troça de Fat Charlie e levava uma vida absolutamente reprovável pelo filho. Você não poderia esperar menos de um Deus! Vencido pelo olhar resoluto de Rosie, ele vai atrás do pai e descobre que o mesmo acabou falecendo e de quebra Fat Charlie ganhou um irmão, que foi separado dele na infância.

Charlie agora vai embarcar em uma jornada louca, divertida, dinâmica, interessante. Para ser sincera, uma jornada que encarna vários momentos de cada um de nós. Afinal de contas, quem não tem um parente que age de maneira absurda? Quem não conhece uma ou mais vizinhas assustadoras? Quem não tem um irmão (geralmente o mais velho) que a nossos olhos é dotado de poderes extraordinários? Muita das coisas que acontecem com Charlie, são comuns a nós, meros mortais. Mas incomum é a maneira de Gaiman narrar e amarrar divinamente toda essa “epopeia” moderna e super descolada.

Fonte: http://www.socimage.com/media/1618260394715350616_3090623510

Desde “American Gods” e “Sandman”, fiquei apaixonada por Gaiman. Ele é o tipo de escritor que fala sobre fantasia com tanta fluidez e naturalidade como Stephen King fala sobre terror. A história é sobre dois filhos de um deus, mas facilmente nos pegamos fazendo comparação com o desajeitado Fat Charlie ou desejando ser como o imprevisível Spider.

O que eu mais adoro nos livros de Gaiman são os finais. Nunca acaba (pelo menos até agora) com o batido “felizes para sempre” ou “morreu e acabou”. Os livros dele são fluidos como o tempo e a vida. Sofrem reviravoltas perfeitamente cabíveis, mesmo sendo histórias sobre deuses antigos vivendo entre nós. E o mais interessante: elas continuam. Em nossos corações e mentes imaginamos o que pode ainda acontecer com os filhos de Anansi e porque não com o próprio Anansi?

Anansi está em “American Gods” - outro livro de Gaiman que virou série da Amazon. O que me faz perguntar que raios estão esperando para colocar o maravilhoso Orlando Jones dando aquele show de atuação com um Fedora verde? Você gosta de Neil Gaiman? Deixe seu comentário.

Comentário(s)
0 Comentário(s)