Primeiras Impressões - Altered Carbon

Por Alvaro Luiz Matos

4 de fevereiro de 2018

Sempre gostei de séries de futuros distópicos, aqueles sonhos distorcidos, as chagas da humanidade se tornando feridas irreparáveis, sejam essas produções estilo “Insurgente”, dividindo a sociedade em padrões para justificar a paz, ou até 3% que, mesmo com muito menos recursos, conseguiu ser sucesso de crítica bebendo da forma brasileira de se fazer arte e cinema; talvez até Mad Max, naquele corrida louca pela sobrevivência em um mundo sem água e sem justiça e por aí vai.

Altered Carbon é só mais uma série pronta para contar o nosso futuro do seu jeito, com seus defeitos, com suas qualidades, com a visão suja de um futuro terrível e estranho.

Quero fazer uma analogia bem pessoal do tema principal da série antes de contar suas qualidades e defeitos, mas segue firme aí que valerá a pena. Pois bem, sou espírita, nasci dentro dessa filosofia ético moral que, para muitos, são resumidas pelo fato de acreditarmos em vida após a morte, e na prática, entre uma reencarnação e outra só trocarmos nossa “capa”, e continuarmos de onde paramos, mesmo sem perceber, pois carregamos conosco doenças, aptidões e diferenças gigantescas de oportunidade, cada qual à sua necessidade.

Repararam na semelhança? E podem vocês pensar que para mim então, seria fácil aceitar essa premissa com naturalidade na série, certo? Errado.

Meu Deus, é uma zona que só imaginar que dentro de uma mesma existência, você poderá ser reencapado, que você poderá trocar seu rosto, seu braço, sua perna, que você poderá escolher se é maior ou menor, aliás escolher não, pois as desigualdades só aumentam em toda e qualquer obra distópica. Afinal, a ideologia desse tipo de obra é exatamente mostrar como a insanidade humana e a desigualdade são um câncer na sociedade.
Bem, analogia sendo fraca ou não, a história da série é mais ou menos essa, e de certa maneira funciona. Na verdade, funciona bastante, pois se você também é fã dessas temáticas, irá encontrar uma série com grandes atores (ou pelo menos famosos), grande produção e nenhum dinheiro economizado.

Vale lembrar que, quando falo de grandes atores, é bom afirmar que os mais populares nem são os que entregam as melhores atuações. Joel Kinnaman, por exemplo, protagonista da série, é só grife, acho duro, acho inexpressivo, já James Purefoy é outro que já cansei há anos daquela cara caricata, canastrona. Mas por outro lado, Martha Higareda, sem muita grife entrega boas atuações, assim como os irmãos Kovacs, Will Yun Lee e Dichen Lachman.

Aliás, fica a dica, tenho certeza que matar Joel Kinnaman e dar um jeito de reencapar em Wil Yun Lee, vai deixar a série melhor e muito mais barata.

Em resumo, vocês tem aí uma baita série, portanto não percam a oportunidade de assistir essa baita produção e essa primeira temporada de apenas 10 episódios. Vai valer muito o teu tempo.

Abraços.
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