Literatura Em Foco - Política Para Não Ser Idiota

Por Alvaro Luiz Matos

18 de fevereiro de 2018

Tenho o costume de ler muito sobre política e filosofia, gosto do raciocinar, de desenvolver debates, de aprender pensando e não obter respostas prontas para uma realidade que talvez nem seja a minha. A foto de capa dessa postagem é um retrato da minha estante, onde a literatura que busco remete a conhecimentos amplos, que me tornem melhor e menos idiota, mas isso vocês entenderão logo abaixo.

De Mario Sérgio Cortella e Renato Janine Ribeiro, POLÍTICA PARA NÃO SER IDIOTA é um dialogo que fala sobre a idiossincrasia, sobre aquele que ignora um fato de que não tem conhecimento, sem dar a este a devida importância. Ser idiota, na origem da palavra, é desconhecer, é ignorar certa informação e, nesse caso, ignorar a política.

Bem, politica também possui outro significado de origem, polis é a vida em sociedade, é viver junto a outras pessoas, dividir obrigações e responsabilidades. Aquele que se preocupa com a política é aquele que se preocupa com sua casa, seu prédio, sua rua, seu bairro, sua cidade e vilarejo, ou seja, polis é tudo aquilo onde existem relações sociais, de duas ou mais pessoas vivendo em grupo.

Portanto POLÍTICA PARA NÃO SER IDIOTA é um grande ensaio sobre a importância de se preocupar com a sociedade, se preocupar com sua polis e o quanto, hoje, as pessoas ignoram esse fato.

A politica se sujou com políticos, confundimos agora a preocupação com a Polis com a preocupação consigo mesmos daqueles que roubam em beneficio próprio e ignoram a sociedade. Esses sim precisam de mais politica para não ser idiotas, entretanto, no imaginário popular, essa lógica se inverte.

É muito difícil explicar para alguém que se diz contra a politica, mas defende o feminismo, as lutas contra preconceitos e outros ativismos sociais, que são eles os verdadeiros políticos, que são eles que se preocupam com o bom convívio da polis, com os direitos humanos e suas vertentes. Assim como é difícil fazer com que o povo brasileiro, embora obrigado a votar, que levante de sua cama aos domingos para definir aquele que o dará voz na “Ágora”.

Cortella e Janine voltam aos tempos para mostrar que na Grécia a sociedade fazia questão de acompanhar e comparecer a ágora, onde eram feitas as reuniões para se definir destinos da polis, onde eram valorizados aqueles que sabiam defender seus ideais e tinham maior facilidade de dar voz à sociedade. Mostram que nossa sociedade regrediu nesse conceito, onde aquele de bom discurso geralmente é um bom enganador e aquele que evita se relacionar com a politica, é um homem de bem.

Os autores defendem também essa lógica ensinada desde a formação de nossos jovens, para que, de forma consciente a sociedade entenda seu papel na polis, que possa tomar decisões em prol de melhores condições e avanços sociais. Finalizam mostrando o quanto a politica faz bem, e o quanto precisamos dela para crescer quanto coletividade, evitando a alienação e valorizando o debate.
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