Em Foco no Oscar - Eu, Tonya

Por Janaína Guaraná

26 de fevereiro de 2018


Eu Tonya, com roteiro de Steven Rogers e direção de Craig Gillespie. Conta a história nada grata da patinadora artística Tonya Harding, que vinda de uma vida de pobreza, violência e abusos, consegue destaque no esporte que praticava desde os 4 anos de idade. Como Harding, Margot Robbie (indicada ao Oscar de melhor atriz) vive diversas fases da narrativa, desde uma adolescente de 15 anos, até uma mulher de mais de 40 anos, amargurada pela série de equívocos de decisões que constituíram sua vida.

Entretanto, Tonya ficou mais conhecida quando seu marido, Jeff Gilloly, e dois ladrões tentaram incapacitar, Nancy Kerrigan, uma de suas concorrentes quebrando a perna dela durante as Olimpíadas de 1994. O "incidente" – conforme define a própria atriz – foi manchete na imprensa mundial há quase duas décadas e meia. A federação acabou vetando de forma vitalícia a volta de Tonya às pistas de gelo depois que seu ex-marido, Jeff Gillooly, confessou ter sido o mentor da trama. 

O interessante é notar as nuances com as quais a atriz constrói cada momento. O destaque fica para a jovem Harding, terreno no qual o filme concentra-se. Robbie faz rir, transmite culpa, pena, sofrimento, tristeza, ou quando exala felicidade extrema ao mostrar que era de fato uma patinadora talentosa, ao ganhar competições. 

Allison Janney, ganhadora do BAFTA na categoria de melhor atriz coadjuvante e firme candidata ao Oscar, brilha no papel de uma mãe da classe operária que pressiona a filha de maneiras indescritíveis para transformá-la em uma campeã. Eu, Tonya mostra a evolução dessa menina, que aos 4 anos já ganhava troféus de patinação, em uma adolescente "livre, motivada e forte sobre o gelo", nas palavras de Robbie, mas vulnerável e alvo dos abusos da mãe e do namorado. 

Uma história verdadeira e visceral, uma garota pobre que tem talento em um esporte de elite? Que várias vezes obteve notas menores porque os jurados não a queriam associada ao esporte? Uma sucessão de erros de uma garota que sofria abusos físicos e emocionais, que só no esporte podia respirar aliviada. É grandioso acompanhar biografias, ver que, nem todos os heróis sobem nos pódios, alguns são engolidos pelo próprio comitê, família e azar.
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