Em Foco no Oscar - Me Chame Pelo Seu Nome

Por Elizabeth Silva

2 de março de 2018



Call Me By Me By Your Name teve sua estreia oficial no Brasil em 18 de janeiro deste ano e mesmo antes desta, o filme de Luca Guadagnino vem atraindo uma legião de fãs, boas críticas, prêmios e elogios pelo mundo inteiro sobre a sua mais nova criação, e como não podia ser diferente, com quatro indicações ao Oscar.

Elio, interpretado por Timothée Chalamet, está passando por mais um outro verão preguiçoso na casa de seus pais, com plano de fundo a bela paisagem italiana de 1983. Mas o verão que tinha tudo para ser longo e tedioso muda com a chegada de Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai.

O enredo do filme é relativamente simples e sem pretensões de ser apenas exibicionista ou um típico romance de verão que nos acostumamos a ver. Não digo isso de maneira ruim, por favor, afinal sou fã desses filmes, digo que apesar de retratar "um amor de verão" a história de Elio e Oliver vai muito além disso, aliás o filme em si vai muito além disso.

O filme tem um foco tão bonito na história que está prestes a se desenrolar, que não permite que a gente se atenha a detalhes que em outras ocasiões teriam deixado buracos na trama. Por exemplo, o fato de começar com a frase "Em algum lugar no norte da Itália". Não, o interesse não é desenvolver uma trama repleta de revira voltas ou de revelações futuras, o interesse é o laço que Elio e Oliver formam e a maneira que eles o constroem, então perguntas como "Onde isso aconteceu?" "Quanto tempo?" "O que fizeram depois?" simplesmente não importam e sinceramente não fazem falta.

Aos que esperavam um romance no primeiro cruzar de olhos deles devem ter ficado um tanto quando decepcionados, porque a história de ambos leva um tempo para se desenvolver e na minha humilde opinião, esse tempo é o que deixou tantas pessoas imersas no filme. Você começa a entrar na rotina que Elio apresenta e acaba por se envolver tanto que, diversas vezes vê compartilhando do mesmo sentimento que ele, seja no tédio, na expectativa, nervosismo, na tristeza, na raiva e no desejo.

O que faz com que Call Me By Your Name possua uma grande chance de levar a estatueta para casa, é o fato de ser um filme sensível como há muito tempo eu não via. Se me pedissem para definir em uma palavra eu usaria essa, sensibilidade. Seja para tratar da descoberta sobre si e seu corpo pela qual Elio passa, seja por mostrar o suporte sem igual de seus pais, sobre como o próprio corpo deles falam por si só em determinadas situações. É sensível ao mostrar as mudanças de atitude dos dois quando estão próximos um do outro, quando se encontram mais afastados, quando simplesmente não conseguem ficar longe.

Call Me By Your Name é um filme que conta sobre a criação de um laço tão forte, que seria bobo dizer que é apenas um romance de verão com data de validade... Não, é sobre um amor que nasceu onde eles não queriam no começo, e era tão estranho que esse desconforto você é capaz de sentir, mas não de lutar contra, assim como eles não o fazem. Ele mostra de maneira profunda como é se apaixonar, e como algo tão simples se torna algo tão complexo e inexplicavelmente tão lindo e vulnerável.

Definitivamente é o meu preferido pra ganhar na categoria de Melhor Filme.
"Call me by your name, I will call you by mine"
Comentário(s)
0 Comentário(s)