Cinema em Foco: Star Wars - The Last Jedi

Por Elizabeth Silva

19 de janeiro de 2018


Star Wars: The Last Jedi (O Último/Os Últimos Jedi – fica a seu critério) é o oitavo episódio desta franquia arrebatadora, marcando o segundo filme da nova trilogia, chegou em dezembro do ano passado e meus queridos leitores amantes das galáxias, pensem em um filme que deu o que falar e que dividiu opiniões.

The Last Jedi vinha com a missão de dar continuidade ao acelerado “O Despertar da Força”, e me surpreendi ao encontrar um filme mais “calmo” de certa maneira. O Despertar da Força veio com a mesma empolgação, e muito parecido, na minha opinião, com Uma Nova Esperança, e uma das coisas que me deixou com um pé atrás para com este novo capítulo, foi o medo de tentarem repetir outro filme e não criasse sua própria identidade. Senhoras e senhores, nunca fiquei tão feliz por estar errada!

O filme trouxe dois objetivos simples e conseguiu mostrar eles, elaborar ambos e dar um desfecho aos dois sem correr com tudo, ou ficar enrolando e despejar tudo na nossa cara de uma só vez. Isso foi algo que eu simplesmente não esperava e me deixou encantadíssima!

A premissa era básica, Rey partiu em busca de Luke para realizar seu treinamento e descobrir a verdade sobre si mesma e sobre a Força, e o encontrou em uma ilha quase deserta que um dia foi abrigo para os Jedi. Os nossos companheiros da resistência guiados pela General Leia Organa, precisavam encontrar outro refúgio após terem sido descobertos e o mais rápido possível tentando escapar do tirano Snoke, e de seu “fiel” aprendiz Kylo Ren e o cão raivoso General Hux. Foram dois pontos que olhando dessa maneira eram simples, mas que foram trabalhados de forma calma, ritmada e que tem o poder de fazer você ficar duas horas e meia dentro da sala de cinema e nem sequer perceber! Eu juro de mindinho!


A parte mais animada, com lutas, explosões, destruição de naves e muito mais, ficou com a Resistência e sua constante luta contra a Primeira Ordem. Os efeitos ficaram ainda mais sublimes, a trilha sonora te faz arrepiar tanto e empolgação com as cenas são ainda melhores! Finn encontra meio que uma nova parceria neste filme, a jovem guerreira e simpática Rose, interpretada pela talentosa atriz Kelly Marie Tran, e devo lhes dizer que no começo eu achei que não funcionaria muito bem esta dupla, mas fico feliz em lhes dizer de novo que estava errada, apesar de no fundo do meu coração eu estava contando com Poe para ser essa dupla. A dinâmica dos dois deu novas perspectivas ao modo de Finn encarar as coisas. Nosso amado piloto Poe Dameron teve mais destaque e voz neste filme e me deixou bem contente pois eu amo seu espírito selvagem, sim me julguem, mas ele me faz lembrar do insubstituível Han Solo.

A parte do filme focada em Rey e Luke foi a que de certa maneira, ocorreu em ritmo mais lento e não poderia ser diferente, afinal ali estávamos tratando de assuntos extremamente delicados. Não só o treinamento de Rey, mas sobre estar vulnerável com a verdade sobre seu passado, sobre os sentimentos controversos acerca da Força e sobre Ben Solo. A ligação entre Rey e Ben é intensa, faz o coração perder as batidas por nunca saber o rumo que eles vão tomar, e até te fazer torcer pelo casal (a tensão é forte também).

O clima extremamente pesado toda vez que se tentava chegar ao real motivo que levou Luke fugir e se esconder na ilha. Este aqui, talvez, tenha sido o ponto que fez a maioria dos fãs detestar tanto o filme e outros amarem tanto, como vimos a crítica exaltando Star Wars e os fãs pedindo a retirada dele do cânone...

Para mim, The Last Jedi se destacou tanto justamente pelo fato de deixar você decidir quem foi ou não o vilão na história entre Ben Solo e Luke Skywalker, é uma questão de perspectiva e escolha do contexto. Eu me lembro que, assim que saíram os pôsteres promocionais, todos ficaram achando que Luke seria o vilão por aparecer em destaque no fundo, com capuz e um olhar sombrio... Mas bem, ele é o vilão ou salvador de tudo? O filme te deixa decidir isso e eu nunca na minha vida inteira esperaria por algo assim.


A direção de Rian Johnson pode não ter agradado a todos, mas acredito que seja de consenso geral que as cenas com a incrível Carrie Fisher, realizando seu último trabalho vivendo a forte e poderosa General Leia Organa ou as adições em projeções, foram o ponto de mais emoção no filme. Eu sempre admirei a força dessa personagem, e ver ela com mais participação, usando a Força e dando seu coração nessa personagem vai ser sempre a maior lembrança que vou retirar de The Last Jedi. Escrevendo esse texto, me lembro do momento em que Luke diz a Leia segurando sua mão “algumas pessoas nunca se vão de verdade” o contexto do filme era outro, mas lá estava mais uma mensagem de despedida e essa fez a sala do cinema inteira prender a respiração e só se ouviu fungados e lamentos em uma das várias menções honrosas ao nome da atriz que revolucionou Star Wars.

Star Wars The Last Jedi, definitivamente não foi o filme pelo qual estavam esperando. Trouxe à tona temas importantes como as consequências de uma guerra e suas marcas no povo, escravidão e liberdade, a continua luta pela igualdade, encontrar o equilíbrio da Força dentro de cada um. Trouxe uma interpretação mais real sobre o que você define de vilão, eu diria que ele tirou o conceito mocinhos x vilões, aquela visão preto e branco que os outros mostravam, e se enquadrou em uma escala de cinza. Cumpriu seu papel em dar um ponto de partida essencial para o próximo filme.
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