Cinema em Foco: Mãe

Por Bruna Horta

8 de janeiro de 2018

Mãe! É com certeza o filme mais polêmico de 2017 e aqui vão alguns motivos de porque as indicações ao Framboesa de Ouro são compreensíveis, mas injustas. 

Primeiramente, temos que deixar claro que o filme merece a classificação mais para um filme de arte; ao contrário de outros filmes do diretor Darren Aronofsky, como Cisne Negro, Noé e Jackie, que possuem uma pegada mais comercial. Por mais que Cisne Negro tivesse um apelo estético diferente, por exemplo, algo pouco comum aos filmes hollywoodianos; sua trama clássica deixa tudo mais palatável ao grande público. 

 Ao contrário desse, Mãe! “complica” em todos os aspectos cinematográficos. E isso é decisivo para o filme, pois tendo uma atriz tão popular estrelando-o, Mãe! acabou indo para as salas mais comerciais, com a face de Jennifer Lawrence estampada nos cartazes e nem todo mundo estava preparado para receber tantos elementos incomuns reunidos. 

Assim como a câmera balançando em Cisne Negro deixou espectadores com labirintite ao assistir; Mãe! tem uma câmera voyerista, que segue a personagem principal o tempo inteiro, com a utilização de closes em muitos momentos. Aliado a isso, a pouca luz artificial escolhida por Aronofsky deixa as cenas muito escuras, somando inquietação nas pessoas. O ápice do incômodo é o fato da história se passar dentro da casa praticamente o tempo inteiro. Com poucas externas, a personagem quase aprisionada no mundo do Criador (Javier Barden), desenvolve em alguns espectadores uma claustrofobia sufocante. 

Não bastasse tais fatores para muitos odiarem o filme, a trama provoca repulsa em muitos conservadores. Aparentemente vista como o arquétipo de Virgem Maria, a Mãe representada por Lawrence vê seu bebê ser devorado pelos fervorosos radicais devotados, e em seguida todo aquele mundo se deteriora. É então que se percebe que a personagem é na verdade a Mãe Natureza: indefesa e impotente diante do homem. E como um ciclo de vida, renasce no fim com uma outra cara, para reviver aquilo tudo outra vez. 

Dito tudo isso, num filme em que a metáfora é o cerne, é compreensível tanto ódio. No fundo, a não compreensão do filme o fez polêmico. Darren abusa da megalomania e do ritmo frenético do meio para frente do filme para criticar nossa sociedade. Ele critica como idolatramos coisas pequenas, frívolas, como idolatramos a religião cegamente, as celebridades, como consumimos mais do que precisamos, idolatrando o capital, idolatrando nossos próprios egos, vazios, sozinhos, cegos diante um mundo que se autodestruirá em pouco tempo se não prestarmos atenção nem cuidarmos da nossa MÃE NATUREZA. É um soco na nossa cara, a própria exclamação no título do filme é um pedido de socorro e nem todo mundo acordou.
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