Literatura em Foco: Queria ver você Feliz

Por Ellen Joyce Delgado

13 de novembro de 2017


Adriana Falcão, uma escritora que participou de grandes obras brasileiras, trouxe um fato marcante de sua vida para páginas envolventes. Digo que nem todos os finais trazem “e viveram felizes para sempre”, mas esse final, marcado com risos e uma incrível história de amor, pode fazer parte da vida de muitas outras pessoas. Por isso, hoje trago uma obra brasileira merecedora de muita atenção: Queria ver você Feliz. 

O livro, lançado pela Editora Intrínseca, traz um final inevitável mas, ao mesmo tempo, com um toque de afetuosidade. Esta história foi vivida dentro da casa da própria autora. 

Adriana Falcão relatou que queria que as outras pessoas vissem essa narrativa com um pequeno toque de doçura. A mesma não queria transmitir a dor que um dia sentiu, ela tentou puxar tudo para um lado mais leve. E afirmo: ela conseguiu. A história conta a vivência de um casal, desde o conhecimento de ambos, até o final dos mesmos. 


Imagine-se em uma rotina carioca. O livro traz essa sensação quando mostra-nos as cartas trocadas entre os apaixonados. Era tudo relatado nas noites na praia de Ipanema e Copacabana, no sol e na beleza do Rio de Janeiro - no caso, este casal tão apaixonado, são os pais da escritora. 

Os personagens – Caio e Maria Augusta – se apaixonam logo após uma troca de olhares na Fonte da Saudade (bairro carioca da Lagoa). Inicia-se, aí mesmo, uma história de amor presente na difícil realidade de 1940. Os próximos encontros tornam-se mais marcantes através de troca de mensagens, digo, troca de cartas – a verdadeira e mais pura realidade dessa geração. Imagino, a partir daí, como devia doer e, ao mesmo tempo, significar tanto a palavra “saudade”. 

O contexto amoroso é expresso com as palavras de cada papel. Você pode sentir a expressividade da mãe e o ciúme impetuoso do pai. Mesmo diante de todo esse desarranjo, o amor sempre falava mais alto


As cartas trouxeram os passos seguidos por cada um deles – acalmem-se, eles se tornaram um casal - mas a vida trazia distância, às vezes. E, mesmo separados pelos deveres de cada um, eles não deixavam faltar amor. 

Esse livro me tocou muito. O mesmo foi descoberto aleatoriamente, perdido em algumas prateleiras de uma livraria da cidade. Sua capa me chamou muito a atenção e, quando li seu resumo, resolvi comprá-lo. Eu acabava de chegar de uma viagem, uma viagem na “cidade maravilhosa” e quis acompanhar esse contexto que falava da mesma. Não me arrependi em nenhum segundo. Em cada página, eu podia sentir todo o cenário contextual. Faziam parte de minhas memórias recém-adquiridas.



No final, após as conquistas da família, as filhas que cresceram, o casal acaba se perdendo na idade e se separando pela morte – uma causa natural. Não se oprima por isso e nem sequer deixe de acompanhar. Como sabemos, essa é uma lei da vida. E nem isso me impediu de estar aqui, contando algo que me deixou marcas. 

A história não é minha, mas seu verdadeiro sentido foi deixado dentro de mim. E, segundo a autora, ela precisava exprimir em versos aquilo que um dia a fez sofrer mas que, após a descoberta das cartas de amor trocadas entre o casal, a fez sentir que valia a pena reviver esse contexto real, baseando-se na felicidade que um dia os dois conquistaram. 


Aprecie esses doces detalhes e desfrute de uma obra nacional. Vale a pena aplaudir obras feitas por nossos conterrâneos. Obrigada, Adriana Falcão!
Comentário(s)
0 Comentário(s)