Cinema em Foco: Liga da Justiça

Por Ellen Joyce Delgado

26 de novembro de 2017


Perdoe-me o aviso, mas já inicio falando que o filme não foi a melhor surpresa do ano. Para aqueles que já estão preparados, vamos em frente! 

A produtora DC vem tentando surpreender muito no quesito cinematográfico nos últimos tempos. Afirmo que a mesma conseguiu, mas não preenchendo todas as expectativas. Seria injusto compará-la, logo de início, com aquelas – ou aquela MARVEL – que já fidelizou o grupo “fãs de carteirinha”.  A questão é tentar seguir uma notoriedade independente, não sendo sempre a sombra dos outros. 

O filme Mulher Maravilha trouxe uma forte conquista. Tivemos todos os quesitos mínimos preenchidos, onde o filme trouxe um contexto, um enredo, efeitos visuais e sonoros. Foi algo muito bem visto e com alto índice de aceitação. 

A vinda do Esquadrão Suicida e Batman versus Superman deixou alguns desacordos, principalmente pela falta de motivos concretos nos conflitos e soluções da trama. A grande esperança foi resguardada para o filme Liga da Justiça. Já é hora de falar sobre o mesmo. 


Após a luta de Batman contra Superman, a fé da humanidade acaba sendo desestruturada pela falta do grande herói humanistao qual foi derrotado e morto na primeira sequência. Vendo todo o conflito armado, Bruce tenta fazer o papel que antes pertencia a Clark. Tinha esperança em poder reestruturar a dignidade e pacificação humana. Vendo-se sozinho, o milionário homem morcego resolve criar um time - o qual faz jus ao nome do filme. 

Como primeira recrutada, temos a Mulher Maravilha, vivenciada pela atriz Gal Gadot. Em seguida, após o despertar de uma nova ameaça, a formação da equipe é acrescida com o Aquaman, Ciborgue e o jovem Flash. Temos, aí, um time de Super Heróisou, aspirantes

A DC tenta criar uma sequência lógica das produções anteriores, mas não foi isso o que eu vi nessa última produção. O contexto segue alguns patamares das HQ’s, mas há um desequilíbrio no grupo de atuação. Não senti naturalidade nos heróis; Não havia uma preocupação em salvar o mundo. 

Na verdade, o problema central do filme – o qual deveria ser o clímax do enredo – não me amedrontou em momento algum. Passei um bom tempo sentada vendo o Bruce Wayne ir atrás dos seus colegas de equipe e tentando ser engraçado com seu humor desastrosorico, inteligente e “engraçado”, te lembra alguém Homem de Ferro


Esse não é o Batman que todos nós conhecemos. Não há aquele ar depressivo, as marcas obscuras deixadas pelo passado de um pobre garoto que sofreu a perda dos pais. Mas é claro, tudo tem seu lado positivo. 

Aqueles dos quais menos esperava um brilho na atuação foram os quais mais me surpreenderam. O que mais ganhou minha atenção foi o descompromisso e naturalidade do personagem Flash. Suas aparições sempre traziam muita graça e a realidade da vida de um pobre adolescente indefinido. Gal Gadot – a incrível Mulher Maravilha – também se saiu muito bem em sua atuação. 

Tirando essa extroversão, tudo foi meio previsível. Não tive surpresas nas cenas. Os momentos em que esperava uma grande batalha eram logo solucionados por intervenções mínimas

Não culpo os atores, todos eles têm bom procedentes. Acredito que todos tentaram fazer de acordo com aquilo que já era proposto

As cenas do filme deixaram um pouco a desejar. A composição visual não me causou nenhuma memória marcante. O meio sonoro também perdeu muitos pontos. Em nenhum momento tive aquela música impregnada em minha mente. Na verdade, pelo que me lembro, músicas estiveram presentes apenas na abertura do filme e no desfecho do mesmo.

A DC precisa reabrir um pouco os patamares de investimentos e produção. A história do filme tinha várias pontes a serem seguidas, mas o mesmo não ocorreu. O reaparecimento intacto do super homem - mesmo depois de sua morte - foi um dos quesitos que mais me decepcionou. Não há fatores que me fazem crer que aquilo alí pudesse realmente acontecer. Sei que estamos falando de filme de super heróis, mas poderia haver uma mísera súplica de contextualização plausível.

Não digo que esse é um filme ruim. Os pontos narrados apenas relatam as inúmeras falhas que poderiam ser esquivadas. Vale a pena ver o filme? Vale sim. Apenas não crie expectativas diante de tantas outras produções incríveis do nosso cinema. 

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