This is Us – 2x04 – Still There

Por Janaína Guaraná

22 de outubro de 2017


This Is Us continua usando os retalhos da vida cotidiana, aqueles que usamos para construir quem somos, as memórias que nos dão forças para continuar, as lembranças que nos marcaram tanto que ainda doem e as dores que cultivamos ao longo dos anos, como forma de nos lembrar que estamos vivos, que apesar dos machucados, continuamos vivos. 

Somos tão apegados a quem fomos, que quase não damos chances para o desconhecido. Guardamos memórias, como se fossemos capaz de esquecer nossos pais, nossos amores e nossas dores. E despedir-se de algo assim, é um rito de passagem, é dar chance para o desconhecido, é acreditar que o destino finalmente encontrou uma fresta para chegar. Apegar-se a algo que nos lembra alguém que se foi, é um ato de coragem, é manter a pessoa viva, mas o tempo costuma ser implacável, ele passa e leva consigo, não importa o quanto desejamos ficar. Uma dor no joelho, um sonho que ficou na gaveta, uma memória de um pai, e finalmente uma libertação, finalmente a vida continua. 

Conquistar a confiança de alguém que a vida vem batendo é uma das coisas mais difíceis de ganhar. Pode-se dispor de todo amor e carinho que a vida nos presenteou, no fim, o a necessidade de uma conexão é tão urgente, que pequenos detalhes evaporam e não se nota que a cumplicidade é algo natural, não dá para forjar essa ligação, ela é moldada no tempo e nos afagos da alma, aqueles que nos marcam com tamanha força, que nos puxam sempre, para algo ou alguém. 

Sobre mães e filhas, avós e netos, pais e filhos, sobre irmãos, e o laço intimo que os une, sobre família. É poder ser sincero e magoar, é guardar impressões, é decepcionar-se e orgulhar-se. Família é um amontoado de sentimentos. É sentir-se estranho na própria casa e no minuto seguinte sentir que não tem outro lugar no mundo que lhe faria tão bem. É explicar coisas que para você parecem obvias. Família deveria ser porto seguro, ser abrigo, ser colo, mas ás vezes, família é furação. 

Eu já quis muito algo, mas nunca senti que minha vida dependesse disso. Já quis e consegui, como já quis e não consegui. Mas, tem aqueles presentes que a vida dá, que simplesmente dá sentido a todo resto, que finalmente acontece a motivação, finalmente temos um porquê. De repente temos motivo para acordar de manhã, para evitar alimentos processados e álcool. Finalmente, temos um sonho que se tornou real. 

A cor das nossas peles não define caráter, moral, inteligência. #racistasnãopassarão
Comentário(s)
0 Comentário(s)