Narcos - 3x08 - Convivir

Por Ana Silvia Soeiro

3 de setembro de 2017



No episódio passado ficou bem claro que uma grande guerra estava tomando conta de Cali, e enquanto assistíamos a derrota galopante de Peña, a raiva genuína de seus dois agentes de campo e o breve alívio do cartel, uma coisa ficou bem clara: agora há uma cisma entre os dois “poderosos chefões” do cartel. Enquanto Gilberto tenta, a todo custo, de seu novo “apartamento”, convencer que a paz e a rendição são a única saída, Miguel quer levar adiante a guerra, custe o que custar, e o porto parece um começo tão bom quanto qualquer outro.

Eu fiquei realmente decepcionada com a derrota de Peña, estando tão perto de capturar Miguel no episódio passado, que é isso gente, até em Narcos alegria de pobre dura pouco? Mas Peña não saiu de mãos abanando como eu pensava, ele encontrou um livro! Mas não qualquer um, este livro contém toda a contabilidade do cartel, leitura obrigatória! O ministro que estava ajudando a operação a degringolar finalmente põe as cartas na mesa e está disposto a tirar Peña e o DEA da jogada, mas a chegada do livro muda tudo. De acordo com o ministro, eles têm que entregar o livro como prova para um procurador geral. Peña concorda, mas alerta para um “ínfimo” detalhe: você fica com o livro e eu com o cara que pode entende-lo. A resposta é: vamos em frente!

Para decifrar o código do livro de contabilidade, Peña precisa de duas pessoas: ou o contador, ou o responsável pela lavagem de dinheiro do cartel. Como este último já está ao alcance da mão, ele precisa encontrar um velho amigo nosso para resgatar a esposa de Franklin Jurado que foi entregue às FARC. Mas isso vai custar um preço bem alto para Peña. A guerra produz alianças das mais estranhas e inusitadas, Peña, Don Berna e os irmãos Castaño são um bom exemplo. Jorge, em sua guerra, não está batalhando menos, precisa lidar com a desconfiança do filho de Miguel contra ele para poder sobreviver.
A família em todas as culturas é respeitada, é tida como um templo cujo cargo de provedor e protetor é muitas vezes associado ao pai, neste episódio o que mais me impressionou é até onde Jorge foi para desempenhar seu papel. Não sei se posso continuar antipatizando com ele, aí vem Narcos, mais uma vez, testando o conceito de ética e moral que, para mim, são tão rígidos. Mas, se fosse minha família, não tem como negar que eu seria “um Jorge”.

O resgate de Christina é muito bem sucedido graças ao pacto (melhor palavra que esta não existe para definir) firmado por Peña para executá-lo. Resta saber se ele vai pagar o preço a Don Berna. O contador está desaparecido, e agora Gilberto envolve o próprio filho para tentar resolver os problemas do Cartel de Cali e tenho que admitir que isso ele sabe fazer bem até demais. Tinha como Narcos ficar mais emocionante?
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