Netflix and Chill - Glow

Por Alvaro Luiz Matos

2 de julho de 2017

Já chegamos à conclusão que aqui Netflix and Chill significa apertar play e relaxar, sozinho ou com amigos, no sofá, embaixo da coberta, como pretexto ou não. De qualquer forma temos plena consciência de que a Netflix veio para ficar e faz parte do nosso dia a dia, muitas vezes ditando aquilo que assistimos, afinal é muito mais fácil chegar em casa no final do dia e apertar play em algum show desse catálogo do que ficar procurando outras atrações, seja de modo ilícito (baixando pela internet) ou de modo lícito (zapiando pelos canais de TV).

Nessa semana a escolha para a coluna parecia óbvia, não tivemos muitas estreias ou novidades interessantes na Netflix, e isso não significa que não tivemos nomes de peso como Downton Abbey, Arrested Development, alguns bons documentários e o filme You Get Me (que seria algo a assistir, mas o humor pra romance e drama não está muito bom não). Portanto a estreia de Glow foi carta marcada no baralho e chegou chegando.

Além de termos aqui uma série com a equipe de Orange is the new black e um apelo representativo muito grande, Glow chama a atenção para uma história diferente, de época e poderosa. Se no último texto as expectativas pelo show escolhido eram mínimas, aqui apertei play com muito prazer e vontade de ser feliz.

De início a impressão não poderia ser outra se não boa, afinal a abertura à moda antiga, com cores, mulheres e muita força ali apresentada deu um pouco do gostinho do que poderia ser a série. Mas foi mesmo a primeira cena da série que mostrou que a submissão da mulher e o aceite dessa submissão por parte da sociedade era algo nocivo para época, algo a ser combatido.

Não quero me arriscar ao feminismo, a defender uma bandeira que já aprendi que não deve ser defendida por mim, nenhuma mulher precisa que um homem a defenda e sim que a respeite dentro da sua individualidade. Nos últimos anos fiz questão de manter vivo no site colunas que pudessem dar voz a esse movimento, como a coluna “feminismo em série” defendida muito bem pela Marcela Virães durante algum tempo e que hoje se encontra aberta a uma nova intérprete que dê voz ao movimento. E se o meu papel como homem, branco e de classe média é respeitar as diferenças e combater os conceitos previamente estabelecidos que se impregnaram na estrutura da sociedade, faço melhor isso dando voz a aqueles que têm o que dizer, e não tirando o espaço para que eles digam o que devem.
Portanto fica o convite àqueles e àquelas que queiram escrever no site e buscarem uma sociedade mais justa e igualitária.

Mas vamos lá falar da série e de como me importei com a protagonista. Juro que estava mesmo fugindo de drama, a semana foi pesada, cansativa, fisicamente e mentalmente, mas me importei com o drama apresentado pela série, assim como me vi curioso com a história esdrúxula da série de tv com mulheres lutando por nada. Eu particularmente tenho um vicio de escrever durante os episódios, paro quando sinto que tenho alguma opinião ou quando sinto inconformismo, mas com Glow o episódio fluiu e simplesmente esqueci que tinha de escrever, apenas me apeguei à série e relaxei.

Motivos têm de sobra para nos arriscar nesse piloto, o tema central é bom, a maluquice já conhecemos desde Orange is The New Black, os estereótipos são variados e nem sempre óbvios, e o drama te pega e amarra todas as opções de roteiro. A trilha sonora é forte e nostálgica, algumas atuações surpreendem e a curiosidade mata. 

Sem muito o que fazer, bora arriscar com Glow, pois vale a pena.
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