Netflix and Chill - Castlevania

Por Alvaro Luiz Matos

9 de julho de 2017

E aí, o que vocês têm achado da nossa nova coluna? Estamos fechando nosso primeiro mês e já falamos de dois stand ups, uma série e dessa vez iremos falar de uma animação. Talvez uma das atrações mais esperadas do mês e que, no meu humilde videogame de 100 jogos em uma fita (o mais barato da loja) e vinha com os joguinhos mais antigos que tinham, era simplesmente o mais legal (também adorava atirar em pratos e patos, mas não vem ao caso, kkkk).

Nem por isso eu esperava uma história legal ou que Castlevania virasse uma série animada, afinal, como todo jogo dos anos 90, a história nem importava muito, era um pano de fundo bastante mequetrefe. Mas quantas histórias foram destruídas quando viraram animações ou filmes? O que dizer daquele Mário dos cinemas? Já aqui, por mais bobo que fosse parecer, temos um Drácula, temos demônios, temos padres católicos e um rebelde de família tradicional. Ou seja, já de início temos bons clichês para criar uma boa história, só faltava alguém colocar na ponta do lápis e usar uma marca bastante reconhecida como a Netflix para decolar o projeto.

A série começou com o lado “mal” da história, e de forma pouco profunda justificou a raiva de Drácula com a sociedade (vale lembrar que se trata de uma coluna de indicações, portanto sem muito spoilers aqui). Mesmo com pouca profundidade, senti carinho e apreço pela raiva do antagonista da série, ah, antagonista entre aspas, afinal como sempre foi, a igreja católica serve muito bem como o maior vilão para qualquer história. Aliás, graças à sempre onipresente igreja e seus equívocos históricos, o chefe maior dos vampiros resolveu acabar com a humanidade, criando um inferno na terra.

Dali em diante a série prefere falar do seu protagonista e desenvolve-lo. Primeiramente você acaba por entender e gostar mais do nosso vilão, odiar a igreja e não se importar com o protagonista. Aquele outro clichê onde o protagonista “is broken”, bêbado e fora de forma, mas tem um senso de justiça e uma humanidade maior no peito.

Além do protagonista, que faz parte de uma família de guerreiros que lutam a gerações contra o mal, temos também uma ordem de oradores, aqueles dos quais vários códigos entre os anos anunciaram existir, para muitos seriam os maçons, para outros os iluminats, mas pouco importa, trata-se de uma ordem que está ali para fazer o bem para aquela sociedade, nômades que não se prendem a um único lugar. Dentre eles uma feiticeira que se une ao nosso protagonista e mostra ter um senso de justiça e lealdade ainda maior que Belmont. E por fim e não menos importante (ou talvez o mais importante) um último integrante dessa equipe, no qual não me cabe aqui dizer para não gerar um spoiler que define a primeira temporada inteira.
Em resumo, são quatro episódios de pura introdução, o ápice está, sem dúvida, no desfecho da season finale e na formação final do time que deve lutar contra os demônios do impetuoso e vingativo Drácula. Muitos diriam que não é inteligente ou produtivo dividir os episódios da série em uma primeira temporada só de introdução e já garantir a segunda, uma vez que o plot central foi definido e a história anseia por começar. Ou seja, muitos devem criticar a escolha por não dar mais episódios à primeira temporada e iniciar de vez o conflito que deve se seguir, no entanto, espero eu, que se a Netflix não segurar a segunda temporada por um ano ou mais, não há mal em criar uma legião de interessados esperando por mais.

É importante frisar também que fazer algo por fazer e colocar em apenas mais quatro episódios uma história intermediária, poderia dar o resultado contrário, parecendo forçado e corrido. É melhor mesmo que se divida em “capítulos” mesmo que esses tenham tamanhos diferentes. Portanto a primeira temporada é o primeiro capitulo, e funciona como tal dando a devida introdução e convidando o espectador a assistir esta animação. Portanto, bora você também arriscar e conhecer essa atração, pois ela tem muito a nos oferecer.

Até a próxima semana.
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